22 de maio de 2013

Sobre trazer à a vida animais extintos e a pretensão de salvar o planeta

Recentemente um grupo de cientistas decidiram se reunir e criar uma fundação de pesquisa que promete, através de técnicas de clonagem e biologia molecular, trazer de volta à vida animais que entraram em extinção.
O projeto Revive & Restore decidiu desextinguir espécies com base na resposta a três perguntas principais:

  • A espécie é desejada? (É um ícone? Desempenhou um papel ecológico importante? Trazê-la de volta ajudará a responder importantes questões para a ciência?)
  • Seria prático trazer a espécie? (Há quanto tempo se extinguiu? Existem parentes próximos vivendo hoje? Há amostras de tecido ou espécimes conservados para a extração de DNA?)
  • A reintrodução no habitat natural poderia acontecer? (O habitat original está intacto ou pode ser restaurado? As causas da extinção são conhecidas e podem ser corrigidas? As habilidades para a sobrevivência no ambiente natural não precisam ser ensinadas pelos pais? A reintrodução seria viável para a espécie e para o ambiente?).
Abaixo há um vídeo muito esclarecedor em que um dos idealizadores do projeto explica claramente como eles planejam alcançar o objetivo (utilizando termos técnicos) e mostra casos atuais de sucesso, no projeto também há cientistas que planejam recriar ecossistemas. Vale a pena assistir o vídeo até o final.

A questão sobre trazer à atualidade espécies extintas tem se tornado alvo de discussão entre cientistas pois, apesar de muitas espécies terem desaparecido devido as ações do homem, a terra sempre passou por processos de extinção naturais. Mas lendo um texto sobre os prós e contras da extinção de David Shukman da BBC ele conclui que existe um aspecto moral que temos em relação a este assunto. Nós "como espécie mais poderosa do planeta, temos o dever de não obliterar outras, especialmente se isso acontece por pura falta de cuidado.[...] Sentirmos responsabilidade pela sobrevivência de espécies mais fracas seria [como] um indicador de civilização."

Li um post do blog Acidulante que falava para não nos preocupar com o planeta e ser egoísta e acho que realmente isto é algo para se pensar. Afinal muitos ambientalistas levantam uma bandeira para salvar determinada espécie de animal bonitinho, um ecossistema (não seriam todos ecossistemas e animais -mesmo bactérias - importantes para o equilíbrio?), entre outros, mas será que o planeta realmente precisa ser salvo? A terra tem um processo chamado homeostase no qual sempre recupera seu equilíbrio (mesmo que com novas espécies), e, como dito anteriormente, já houve vários processos de extinção naturais. No entanto ao acelerarmos o processo de aquecimento global e extinção de algumas espécies só estamos afetando a nós mesmo, criando doenças, acabando com plantas de caráter medicinal, acabando com nossa qualidade de vida.
Quem realmente precisa ser salvo?
Se pensarmos na nossa sobrevivência neste planeta, estaremos pensando em agir em harmonia com ele. Buscaremos qualidade de vida, cidades, rios e praias limpas e ar puro, pois assim não há proliferação de doenças. Evitaremos desequilibrar habitats e afetar vidas das espécies pois todas participam de uma cadeia e são reguladoras do meio.
Imagem da agencia de publicidade ALMAP BBDO clique para ampliar
No vídeo abaixo George Carlin fala que somos como pulgas no planeta, uma hora ele vai dar uma chacoalhada (Um super vírus ou algum desastre natural), irá se livrar da gente e voltará a se estruturar. Nosso impacto de alguns milhares de anos não é nada perto dos bilhões que o planeta tem de vida.
Quem irá lançar um projeto de clonagem e desextinguir nossa espécie depois de um evento assim?

E você o que acha do projeto Revive & Restore e que animais extintos gostaria de encontrar na natureza? Comente!


Sobre o autor: Luciana Cantanhede Estudante de Biologia, Conselheira do Cades regional em São Paulo, busca através das temáticas ambientais conscientizar e incentivar a mudança de atitudes para práticas sustentáveis. Twitter | Facebook | Email

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