17 de maio de 2013

Documentário Lixo Extraordinário

Em comemoração ao Dia Mundial da Reciclagem (17 de maio) estou postando para assistir online este documentário que concorreu ao Oscar em 2011. O documentário fala sobre como foi a experiência do artista Vik Muniz ao fazer arte com lixo e transformar a vida de um grupo de catadores do maior aterro sanitário do mundo, Jardim Gramacho, localizado em Duque de Caxias - Rio de Janeiro.
Em 2010 foi premiado no Festival de Sundance. No Festival de Berlim em 2010, foi premiado em duas categorias, o da Anistia Internacional e do Público de melhor documentário na mostra Panorama.
Veja outras premiações no site.


O artista, que nasceu na classe média paulistana, é hoje um dos maiores expoentes das artes visuais no mundo, trabalha com colagens e montagens de materiais diversos para formar retratos.

Vik resolveu chamar a atenção neste documentário para o problemas ambientais (do lixo) e sociais (das condições de trabalho dos catadores de Gramacho). Como forma de dar voz e visibilidade aos trabalhadores do lixo, retratou-os como personagens com montagens gigantes feitas de resíduos do próprio aterro. Os resultados são incríveis!
Há retratos fortemente simbólicos, como de um líder da comunidade semeando no aterro, e de outro encenando a morte do pensador Marat, e uma catadora posando com seus filhos num quadro que lembra uma santa.

Abaixo alguns dos retratos:

Estou postando também a resenha e opinião do documentário que encontrei no site Coletivo Verde Por Dan Lima e Carol Guilen:
"Recentemente eu assisti ao filme, que em mim causou um misto de indignação, vergonha, tristeza e admiração. São sentimentos aparentemente contraditórios, mas você vai entender.

A admiração vem da força que têm as pessoas que são forçadas a viver entre o lixo para sobreviver. Forçadas, isso mesmo. Por falta de condições centenas de pessoas são forçadas a viver no lixo para retirar dele alguma renda. Ninguém em sã consciência escolhe uma vida daquelas. São homens e mulheres que têm forjado no seu íntimo um instinto de sobrevivência muito forte e digno de admiração. Todos os dias aquelas pessoas enfrentam dificuldades para manter a sua dignidade. Repare nos depoimentos que as pessoas preferem aquela vida a se entregar ao tráfico de drogas, ao crime e à prostituição.
A tristeza é um sentimento que aperta o peito de qualquer pessoa normal e com o mínimo de caridade. É muito triste ver homens e mulheres de bem revolvendo lixo como animais, se alimentando em meio ao lixo, ao mau cheiro e a urubus. Isso é muito triste, afinal são seres humanos, pessoas que não tiveram a mesma sorte que muitos de nós.
No filme um dos catadores faz uma brincadeira que reflete muito bem o que estou dizendo e que expõe uma realidade triste e cruel. Quando ele vê a equipe de filmagem ele grita: “Filma nois aqui para o mundo animal”. A desigualdade social é uma das piores formas de degradação moral, social e humana.
Por fim a vergonha. Vergonha de ser brasileiro. Vergonha do Rio de Janeiro. Vergonha de saber que a cidade que trata daquela forma seus cidadãos é chamada de Cidade Maravilhosa. Vergonha de saber que o mundo inteiro assistiu o filme e pôde comprovar como tratamos aqui no Brasil os pobres. Vergonha de saber que o país está gastando uma fortuna de dinheiro nos preparativos da Copa e das Olimpíadas e não gasta um centavo para mudar a vida sofrida dos moradores de Gramacho. No filme o gerente do aterro deixa escapar, na maior naturalidade, o maior exemplo de inversão de valores do papel do Estado que eu já ouvi. Confiram o diálogo entre o gerente e Vik Muniz:

“G – Os catadores tiram 200 toneladas de reciclado por dia.
VM – Por dia?
G – É representativo a uma cidade de 400 mil habitantes.
VM – Caramba !! É mesmo?
G – Aí você vê a importância do catador hoje pra Gramacho é muita. Ele tá aumentando a vida útil”.

A autoridade conta com os catadores para aumentar a vida útil do aterro sanitário. Ou seja o Estado reconhece, oficializa (pois todos os catadores são identificados com coletes numerados), convive e se apóia na miséria humana dos catadores para aumentar a vida útil do seu aterro sanitário. Isso é o fundo do poço!

Gente, o Estado existe para garantir às pessoas uma vida digna e em Gramacho o Estado é conivente com um batalhão de pessoas se debatendo no lixo, acabando com sua saúde em uma realidade terrível e degradante. Isso me causou muita vergonha. Será que o Estado ou as prefeituras não são capazes de retirar aquelas pessoas do lixo? Será que não tem dinheiro para isso?
O lixo é sim uma fonte de renda para muitas famílias mas o Estado pode e deve dar condições para essas pessoas trabalharem com dignidade, em segurança. Onde estão as políticas públicas de coleta seletiva onde o material reciclado já é separado e destinado às cooperativas de catadores? Onde estão os galpões de separação com esteiras e máquinas onde os catadores tem condições de separar o material reciclado? Enfim, são muitas as formas de aumentar a vida útil de um aterro, mas fazer isso sugando a vida de pessoas é uma vergonha."

Em São Paulo, apesar de a maioria das subprefeituras possuírem pelo menos um Ecoponto, a população ainda está desinformada ou pouco interessada com relação à reciclagem, em cooperativas de reciclagem os catadores reclamam constantemente da quantidade de lixo que chega para eles misturado, ou que não pode ser reaproveitado. O governo também dificulta a implantação de mais cooperativas associadas e muitas não tem esteiras, balanças para pesagem e equipamento de segurança. Está mais do que na hora da população e governo mudarem esse panorama.

Leia mais: O que são pontos viciados de lixo e qual a solução para eles?

Sobre o autor: Luciana Cantanhede Estudante de Biologia, Conselheira do Cades regional em São Paulo, busca através das temáticas ambientais conscientizar e incentivar a mudança de atitudes para práticas sustentáveis. Twitter | Facebook | Email

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