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16 de outubro de 2014

Relatora da ONU afirma que culpa pela falta de água é do governo de São Paulo

Publicado originalmente no site da Folha de São Paulo em 31/08/2014, mas continua atual.

Relatora das Nações Unidas para a questão da água, a portuguesa Catarina de Albuquerque, 44, afirma que a grave crise hídrica em São Paulo é de responsabilidade do governo do Estado. "E não sou a única a achar isso."

Ela visitou o Brasil em dezembro de 2013, a convite do governo federal.
De volta ao país, ela falou com a Folha na semana passada em Campinas, após participar de um debate sobre a crise da água em São Paulo.

Reservatório da represa Jaguari, em Joanópolis, parte do sistema Cantareira, com o nível baixo
Foto: Fernando Donasci / O GLOBO

A seguir, trechos da entrevista à Folha.

*
Folha - Que lições devemos tirar desta crise?
Catarina de Albuquerque - Temos de nos planejar em tempos de abundância para os tempos de escassez. E olhar para a água como um bem precioso e escasso, indispensável à sobrevivência humana
Em Singapura, no Japão e na Suíça, a água do esgoto, tratada, é misturada à água comum. É de excelente qualidade. Temos de olhar o esgoto como recurso.

No caso de São Paulo, acha que faltou ao governo do Estado adotar medidas e fazer os investimentos necessários?
Acho que sim, e não sou a única. Já falei com vários especialistas aqui no Brasil que dizem exatamente isso. Admito que uma parte da gravidade poderia não ser previsível, mas a seca, em si, era. Tinha de ter combatido as perdas de água. É inconcebível que estejam quase em 40% [média do país].

A água deveria ser mais cara? Há modelos de cobrança mais adequados do que o atual?
A prioridade tem de ser as pessoas. Quem usa a água para outros fins tem mais poder que os mais pobres, que têm de ter esse direito garantido.
Em muitos países, a água é mais cara para a indústria, a agricultura e o turismo, por exemplo. Deveria haver também um aumento exponencial do preço em relação ao consumo, para garantir que quem consome mais pague muitíssimo mais.

Que exemplos poderiam inspirar os governos?
Os EUA multam quem lava o carro em tempos de seca; a Austrália diz aos agricultores que não há água para todos em situações de emergência; e no Japão há sistemas de canalização paralela para reutilizar a água.

Qual é a importância de grandes obras como a transposição do rio São Francisco ou o sistema Cantareira?
Por várias razões, há uma atração pelas megaobras nos investimentos feitos em água e esgoto, não só no Brasil. Mas elas, muitas vezes, não beneficiam as pessoas que mais precisam de ajuda. Para isso são necessárias intervenções de pequena escala, que são menos "sexy" de anunciar.

Os lucros da Sabesp hoje são distribuídos aos acionistas. Como a senhora avalia isso diante da crise hídrica?
A legislação brasileira determina que uma empresa pública distribua parte do lucro aos acionistas. Mas uma coisa é uma empresa pública que faz parafusos, outra é uma que fornece água, que é um direito humano. As regras deveriam ser diferentes.

O marco normativo dos direitos humanos determina que sejam investidos todos os recursos disponíveis na realização do direito.
No caso de a empresa pública prestar um serviço que equivale a um direito humano, deveria haver maior limitação na distribuição dos lucros aos acionistas.
Em São Paulo, pela perspectiva dos direitos humanos, os recursos deveriam estar sendo investidos para garantir a sustentabilidade do sistema e o acesso de todos a esse direito.
A partir do momento em que parte desses recursos são enviados a acionistas, não estamos cumprindo as normas dos direitos humanos e, potencialmente, estamos face a uma violação desse direito.

Seria o caso de se decretar estado de calamidade pública?
A obrigação é garantir água em quantidade suficiente e de qualidade a todos. Como se chega lá são os governantes que devem saber.

A senhora sobrevoou o sistema Cantareira e disse ter visto muitas piscinas no caminho. O que achou disso?
A situação é grave. Isso foi algo que me saltou à vista.
Quando aterrissei no Egito para uma missão, tendo ciência da falta de água que existe no país, vi nas zonas ricas do Cairo uma série de casas com piscinas e pessoas lavando carros. Quem tem dinheiro e poder não sente falta de água.
O que talvez seja um pouco diferente na situação de São Paulo é que, pela proporção que a crise tomou, ela poderá atingir pessoas que tradicionalmente não sofrem limitação no uso da água - e isso é interessante.

Que efeito isso pode ter?
Pode levar a uma mudança de mentalidade, a uma pressão por parte de formadores de opinião no Estado de São Paulo para que haja melhor planejamento e uma gestão sustentável da água.
Quando os únicos que sofrem com a falta de água são pobres, pessoas que não têm voz na sociedade, as coisas não mudam.
Quando as pessoas que são ameaçadas com a falta de água são as com poder, com dinheiro, com influência, aí as coisas podem mudar, porque eles começam a sentir na pele. Pode ser uma chance para melhorar a situação. As crises são oportunidades.
Veja a notícia em que os vizinhos do governador no Morumbi (bairro nobre de São Paulo) reclamam de falta de água.
Reportagem de Lucas Sampaio - Folha de São Paulo


Para se manter informado:


  • Recentemente houve um outro exemplo de descaso por parte do governo, foi divulgada uma gravação de conversa entre a presidente da Sabesp Dilma Pena e o um vereador participante na CPI que investiga a falta de água e a classificaram como "teatrinho". Demonstrando que é provável que os culpados pela crise hídrica no estado saim impunes.






16 de junho de 2014

Jovem de 19 anos cria tecnologia para limpar oceanos e tem aprovação de especialistas

Um ano após anunciar a criação de um sistema que promete limpar o lixo dos oceanos, o jovem holandês Boyan Slat apresenta os primeiros resultados alcançados pela tecnologia. O Ocean Cleanup é uma espécie de barreira, que aproveita as correntes oceânicas para bloquear os resíduos encontrados no mar. De acordo com os especialistas que acompanharam os testes, a tecnologia é totalmente viável e eficiente.

Para que as análises fossem feitas, um conceito do Ocean Cleanup foi desenvolvido e colocado para funcionar. No teste que mede a captura e concentração, a barreira foi capaz de coletar plásticos em até três metros de profundidade, distância em que normalmente esses resíduos são encontrados. Além disso, o sistema recolheu pouca quantidade de zooplâncton, o que segundo os cientistas, facilita o reaproveitamento e a reciclagem do plástico.

Quando foi divulgado, o projeto recebeu diversas críticas. Isso foi um dos fatores que motivou Slat e sua equipe a contarem com a ajuda de cem especialistas dispostos a analisarem a tecnologia. Os pesquisadores aprovaram e as análises resultaram em um texto com 530 páginas.

Com o embasamento científico, o próximo passo do jovem holandês, de apenas 19 anos, é testar o sistema em grande escala e começar a produção. Para isso, ele está em busca de financiamento coletivo. O alvo é conseguir dois milhões de dólares. A 90 dias do fim da campanha, o projeto já tem 16% da meta atingida.

A tecnologia pode ser de grande valia na luta contra o lixo dos oceanos. De acordo com a divulgação, ele seria capaz de remover mais de sete milhões de toneladas de plástico dos oceanos em apenas dez anos.



Fonte: Ciclo Vivo

5 de junho de 2014

5 de Junho Dia Mundial do Meio Ambiente - Conheça 10 desafios principais que ele enfrente atualmente

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi estabelecido pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1972 marcando a abertura da Conferência de Estocolmo sobre Ambiente Humano.

Celebrado anualmente desde então no dia 5 de Junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente cataliza a atenção e ação política de povos e países para aumentar a conscientização e a preservação ambiental.

Os principais objetivos das comemorações são:
1. Mostrar o lado humano das questões ambientais;
2. Capacitar as pessoas a se tornarem agentes ativos do desenvolvimento sustentável;
3. Promover a compreensão de que é fundamental que comunidades e indivíduos mudem atitudes em relação ao uso dos recursos e das questões ambientais;
4. Advogar parcerias para garantir que todas as nações e povos desfrutem um futuro mais seguro e mais próspero.

Selecionei abaixo um artigo que cita os principais desafios que o planeta enfrenta na atualidade e adicionei a ele algumas fotos e notícias atuais, confira:

Artigo escrito por Renato Duarte Plantier do Cultura Mix

Desafios do Meio Ambiente: 10 Problemáticas Verdes

01: Degradação da Água

O meio ambiente possui diversos desafios pela frente no sentido de não ficar degradado por completo e culminar com o fim das próprias espécies humana. Estatísticas apontam que caso a degradação da água continue em níveis exorbitantes existem chances significativas de o consumo diminuir em trinta por cento por cada habitante em média global. Acontece que existe aumento considerável na taxa de crescimento populacional, ao passo que a disponibilidade dos recursos natural considerado potável diminui em níveis consideráveis. Mesmo com toda a tecnologia da atualidade os cientistas não conseguem desenvolver metodologia barata no sentido de tornar água salgada viável ao consumo.
Ocupação dos mananciais da Represa Billings, alguns locais ainda não possuem tratamento de esgoto que é despejado nas águas da represa.
Virgílio Farias(Foto) em entrevista afirma que se não fosse despejado esgoto in natura e bombeada a água do Rio Pinheiros para a Billings, com a melhora da sua qualidade seria possível abastecer São Paulo por um ano.
No Fórum de Sustentabilidade da Folha o pesquisador José Galizia Tundisi afirmou que "A preservação dos mananciais também é fundamental, não apenas para o abastecimento público, mas para a preservação da biodiversidade", cálculos mostrados por ele revelam que o tratamento da água de um manancial rodeado por mata - diferentemente do que ocorre na Guarapiranga, por exemplo - custa aproximadamente um décimo do que o de represas com o entorno degradado.
Sistema de Abastecimento Cantareira em São Paulo em crise, reservatório chegou a 8,4% o pior nível desde de sua criação em 1970.
Leia mais em "Havia um rio aqui"


02: Aumento do Nível dos Mares

Outro problema está relacionado com o aquecimento global que aumenta o derretimento das geleiras e proporciona crescimento no nível do mar. Com o crescimento alguns países correm riscos de sumirem, caso da Holanda de das Ilhas Maldivas. Os dois países promovem campanhas para que aconteça diminuição na emissão de carbono à atmosfera. O sultão das Maldivas já comprou novas terras no Oceania para implantar desenvolvimento em busca do refúgio.
O PNUMA(Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) escolheu como tema desse ano o aumento do nível dos mar nos 52 Pequenos Estados Insulares, causado pelas mudanças climáticas. Foi divulgado hoje (5 de Junho) Relatório de Previsão para os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e mostra que a ocorrência de desastres naturais relacionados ao clima nessas países será cada vez maior e isto levará a impactos desproporcionais que afetarão setores como turismo, agricultura, pesca, energia, acesso à água potável e infraestrutura. No setor de turismo, por exemplo, que representa mais de 30% dos negócios internacionais dos países insulares, o aumento de 50 centímetros no nível do mar pode fazer com que algumas ilhas percam até 60% das suas praias.
Divulgação SOS Mata Atlantica

03: CO2

O envio de carbono para atmosfera está entre os principais problemas ambientais. A poluição na atmosfera não permite com que os gases quentes saiam no planeta, os mesmos voltam para o solo e causam danos degradantes, caso do aumento da temperatura, conhecido como efeito estufa.
A cada dia que passa as indústrias demonstram novas maneiras no sentido de produzirem sem prejudicar em níveis consideráveis o meio-ambiente. De certa forma as grandes nações estão mais exigentes no quesito legal, oferecendo multas milionárias às corporações que não se preocupam em enviar menos CO2 seguindo as especificações constitucionais. Por este motivo que multinacionais diminuem a produção nas nações natal no sentido de procurar países emergentes e produzir com menos restrição ambiental. O mundo ainda não encontrou solução para produzir mais em consequência do aumento populacional e ao mesmo tempo poluir menos.
Um exemplo de país utilizado pelas grandes nações tanto pela mão de obra barata (quase escrava) e sem preocupação ambiental é a China. Devido a poluição estima-se que morrem 500 mil pessoas por ano, além de afetar gravidez e causar má formação dos bebês, os custos com saúde são de 100 a 300 bilhões por ano. Em algumas cidades há neblina de fumaça constante que a  Província de Shandong decidiu fazer uma campanha de marketing incentivando o turismo exibindo amanhecer em telões  instalados na praça da Paz Celestial (Tiannamen). A estratégia de marketing foi tão eficiente que houve quem achasse que fosse o pôr do sol de verdade - porém, televisionado.


04: Excesso de Lixões

A acumulação de lixo junto com o aumento da população em níveis mundiais representa problemática considerável entre os principais desafios do meio-ambiente. Toneladas de resíduos ao invés de irem para o sistema de reciclagem são encaminhadas aos aterros sanitários. As zonas com a grande lixeira ficam desvalorizadas, principalmente no campo atmosférico. Em alguns aterros é comum observar a figura de crianças que vasculham a sujeira em busca de alimentos ou brinquedos.
Notícia interessante: (atualizada) A Petrobras investe, desde 2001, no programa de recuperação ambiental da Unidade de Negócios de Industrialização do Xisto (SIX), misturando pneus picados ao xisto betuminoso – minério que, ao ser aquecido, libera matéria orgânica em forma de óleo e gás. A tecnologia já permitiu a reciclagem de mais de 11 milhões de pneus usados gerando emprego para catadores e reduzindo a quantidade desse material para aterros e os focos de dengue. No entanto pesquisando na internet há uma notícia que desde julho/2013 a Petrobrás não recebe mais este material.
Foto: catador no lixão Jardim Gramacho no Rio de Janeiro, outrora o maior da América Latina e agora desativado (Christophe Simon/AFP/Getty Images)
Conforme a Politica Nacional de Resíduos Sólidos instituída em 2010, até agosto de 2014 não deveriam haver mais lixões no Brasil, no entanto várias cidades não foram capazes de cumprir a meta nos últimos quatro anos, entre elas há três capitais: Porto Velho, Belém e o Distrito Federal. Como os lixões não têm tratamento ambiental, a decomposição dos resíduos sólidos contamina o solo e, consequentemente, lençóis subterrâneos de água. Além do vazamento do chorume, o lixo produz gases poluentes e facilita a reprodução de insetos transmissores de doenças.
A Lei Nacional de Resíduos Sólidos prevê que todo estado faça coleta seletiva de pelo menos 10%, no entanto no Rio de Janeiro, por exemplo, o valor é inferior a 4%.

05: Diminuição das Queimadas

Existem produtores que preferem queimar centenas de árvores tropicais para desenvolvimento agrícola. Existem queimadas originadas por causa das condições elevadas na temperatura, caso do cerrado brasileiro. No entanto, o fogo em florestas densas possuem como origem as mãos dos homens que estão em busca de lucro financeiro próprio em detrimento de piora na qualidade do ar para muitas zonas.


06: Exportação Ilegal das Madeiras

Outra grande problemática relacionada com a tematização está na exportação ilegal de madeira. Profissionais não especializados realizam o manejo de qualquer maneira no sentido de faturar mais alto. Como poucos possuem preparo técnico, as regiões ficam degradas e os nichos ecológicos ficam colocados em cheque. Milhares de espécies animais e vegetais realizam migrações no sentido de sobreviver. A PF contabilizada dezenas de apreensões por dia dentro do território brasileiro.


07: Respeito Constitucional

De acordo com a constituição as grandes extensões vegetativas são do povo brasileiro. Porém, diversos empresários e donos de terras possuem hectares de regiões que deveriam ser formalizadas como parques nacionais. O valor dos índios, previsto também nas regras constitucionais, representa outra problemática que evidencia a falta de cuidado do governo com relação aos temas indígenas, cujo exemplo da usina de Itaipu representa exemplificação exata da problemática.
OBS: Podemos colocar também o exemplo dos Xingus e a hidrelétrica Belo Monte. O novo código florestal que mais prejudica do que beneficia o meio ambiente, para felicidade dos grandes ruralistas.


08: Cidades Sustentáveis

A urbanização cresce em ritmo desproporcional à disponibilidade dos recursos naturais. Caso as grandes metrópoles não encarem o fato de implantar atitudes e infraestruturas relacionadas com a sustentabilidade há chances evidentes de acontecer à própria extinção da raça humana por diversos motivos. Poluição gerada em grandes metrópoles danifica de maneira direta as extensões vegetais das proximidades.

09: Saneamento Básico

Brasil, uma das maiores economias do mundo, também traz diversos índices negativos que evidenciam existência de muito trabalho a se fazer no sentido de retirar milhões de famílias na pobreza extrema. Quase setenta por cento do país não está coberto por saneamentos básico. Esgotos ao céu aberto trazem a propagação de inúmeras doenças que podem trazer o óbito. Com os resíduos não recolhidos de maneira correta o meio-ambiente fica degradado em níveis incomensuráveis.


10: Meio Ambiente X Celulose

Regiões como Espírito Santo e Paraná são conhecidas por seres exportadoras mundiais da celulose, processo primário e matéria-prima básica para a fabricação de papel. As árvores que originam o produto da floresta são conhecidas por serem francas destruidoras do solo. Carvalhos e acácias se alimentam com quase todo o conteúdo de água existente nos lençóis freáticos, destruindo todas as outras formas de vegetais das regiões e provocando o efeito conhecido como deserto verde. Os Estados são dependentes do dinheiro originado nas negociações nacionais e internacionais, fato que prejudica de maneira direta na luta contra a evolução da problemática.

9 de fevereiro de 2014

Havia um rio aqui...

Há um tempo atrás escutei um debate em que diziam que os rios nas cidades eram considerados problemas pois viravam esgoto a céu aberto e, em geral, no entorno deles se instalavam favelas. Para esconder o problema, ao invés de resolver a questão da poluição, os governantes preferiram canalizar a grande maioria dos rios e córregos, criar ruas em cima deles, nascentes foram degradadas. Os rios maiores foram transpostos conforme a vontade do homem e do que ele considera progresso, como resultado vemos muitos rios diminuírem sua vazão, áreas secas e em épocas de chuvas vários focos de alagamento.
Apesar de muito se falar da importância da água, a sociedade pouco tem discutido o tratamento que está sendo dado aos nossos tão preciosos rios! 

Reproduzo abaixo esse texto da querida Luma Rosa do Blog Luz de Luma, yes party! 

Chuvas de verão. Saudades?


Enquanto lia o texto "Sagrada Gota" da Monica Othero onde ela diz das mudanças de um certo rio que antes era caudaloso e hoje é um rabisco de rio, lembrei-me de alguns rios da minha infância que praticamente viraram córregos.

Acho que todos vocês conhecem a mesma trajetória de vida de um rio, pois não há cidade que eu visite, que algum morador venha contar do outrora grande rio que passava por ali. Para onde foram as águas desses rios?

Na minha cidade natal havia o Rio Mandu, que antes da inauguração dos Clubes Campestres, era a dor de cabeça para muitos pais na época do verão. Esse mesmo rio, em época das cheias provocava muitas enchentes. O Rio foi drenado, foi desviado para a construção de uma avenida e foram criados diques. Atualmente, cadê suas águas? O Rio secou e os diques estão lá para conter água nenhuma.

O Rio Mandu desemboca no Rio Sapucaí Mirim. Esse rio era capaz de sugar os aventureiros nadadores em seus redemoinhos. Foi ali que aprendi a nadar, após o naufrágio da canoa em que estava - eu era bem pequena e meus irmãos balançaram a canoa propositalmente até que ela virasse: "Assim ela aprende a nadar...", disse meu irmão. Faltava-nos  juízo!

Perto dali meu pai mantinha um rancho de pescaria e foi nesse mesmo lugar que aprendi a nadar, que meu pai perdeu um amigo que se afogou... Desse rio sumiram os peixes - lambaris, mandis, piaparas, curimbatas, entre outros, também por causa das dragas de exploração de areia; ele desbarrancou e agora quase que se nivela ao nível da terra.

Depois de tanto estrago e de ter perdido muito terreno nas beiradas dos rios, a Marinha (Operativa) do Brasil, vem exigir mais quinhão de terra dos proprietários de terras onde passam os rios, além é claro, do que o Ibama exige do que seja destinado para as reservas ambientais dentro ou fora da propriedade de terra rural. Independe se é no lugar onde as terras estão registradas, pois se atrapalha a lavoura, o agricultor pode comprar um terreno para fazer uma reserva florestal para o governo. Haveria de ser assim para condomínios de prédios e casas - uma fatia para plantar árvores frutíferas - Coisa que o governo deveria fazer no passado antes de fechar os olhos para o desmatamento.

Entra ano e sai ano, com a temporada de chuvas também é inaugurada uma temporada de tragédias. Foi-se o tempo em que o barulhinho da chuva era algo relaxante. E as águas da chuva pedem passagem, mas por qual caminho, se não existem mais os rios? A natureza segue seu curso e se os rios foram deflorados, ela invade as cidades. Simples assim.

REQUIEM POR UM RIO MORTO

Eu caminho lento
porque a estrada se fez mínima.
As pedras são fantasmas,
as árvores, monstros esquálidos,
com os braços já raquíticos
tentando, num abraço fúnebre,
parar um só vivente...
Sou eu...

Eu caminho lento
porque desabou o céu.
Os astros fundiram-se
numa poeira cósmica
que sufoca, impertinente,
um só vivente...
Sou eu...

A estrada fez-se mínima.
Sem pressa...
Sem medo...
Encontro-me na imensa necrópole
de um só túmulo.
Cova rasa,
cova grande,
cova pobre
de um morto universal.
Sem uma prece...
Sem uma flor...
Sem uma lágrima...

Prece?...
O som rouquenho
de gargantas metálicas
a vomitar, intermitente,
a alquimia digerida
de monstros distantes.

Flor?...
A brancura química
de espuma informe e fétida
que passeia, irreverente,
pelo dorso frio
deste morto universal.

Lágrima?...
Quisera eu chorá-la:
Uma lágrima imensa
que purificasse a mácula
deste morto milenar.
Uma lágrima que fosse o bálsamo divino
milagre novo de vida.

Prece?...
Eu quisera gritar agora...
Rolar pedras de todos os túmulos...
Desafiar as forças cósmicas...
Desrespeitar todas as leis físicas...
Desvendar todos os mistérios...
Invocar a divindade bíblica:
- Lázaro, levanta e anda!

- Meu Paraíba,
Rio de todos nós
Meu cadáver universal
Vive e deixe-nos viver!


Poema do Professor Antonio Maciel (in memorian), declamado por ocasião da "Missa in memorian a um Rio Morto", em 20 de setembro de 1981, na Ponte sobre o Rio Paraíba, em Caçapava, SP e posteriormente publicado nos "Cadernos das Faculdades Integradas Teresa D'Ávila / Lorena / Santo André" - n° 12.

Imaginam quantos poemas em memória dos rios poderíamos escrever? 

Progresso nem sempre quer dizer "qualidade de vida". Devemos repensar se realmente queremos indústrias e mais indústrias consumindo nossas águas e escaldando nossos solos de dejetos. Pois já não temos mais chuvas em uma época em que se inaugurava as chuvas de verão. Teremos que fazer a dança da chuva? Os reservatórios estão em baixa e muitas cidades na região Sudeste estão sem água e isso tende a se alastrar.

6ºC Essa é a previsão de aumento da temperatura média do Brasil até o final do século, a mesma variação registrado no Rio ao longo do mês de Janeiro.

Por duas vezes, no último mês, tive que tomar soro no hospital. Talvez se eu fosse mais gordinha, tivesse maior concentração de água no corpo e não me sentisse tão mal. O nosso corpo interage com o ambiente e a situação que estamos vivendo nos últimos dois meses, no mínimo serve de treinamento para o que virá.

O mundo não acabará com as mudanças climáticas, mas ficará bastante desagradável viver na terra. Desagradável não é nada se comparado ao que acontecerá na África, no Nordeste do Brasil e na Ásia. Insuportável será a seca, a fome por causa das plantações destruídas e os apagões, como os que aconteceram nessa semana que serão mais frequentes.

No Brasil, apenas 6% do total do volume de água que temos, estão em ótimas condições de uso e temos 12% de toda a água doce do planeta, levando em consideração que olhando a terra de cima, temos apenas 25% de água doce, o resto da água da terra é salgada. Vale dizer que 80% da nossa água se encontra na Amazônia e lá moram apenas 5% da população brasileira.

Você sabia que para produzir 1 xícara de café são necessários 140 litros de água? Sim, existe um processo até o café chegar pertinho de você. A carne de boi é vilã, pois consome a cada quilograma, 15.500 litros de água.

Não conseguimos economizar água e energia no presente, que dirá para o futuro, mas se existe uma poupança, ela deve ser feita contra o desperdício. Pense antes de comprar, pense no quanto de lixo você produz. Pense no peso das suas ações.

Sugestão de Leitura: "Lembranças de um Rio" - Texto do amigo blogueiro Vitorio Nani. #Superindico!!
Luma Rosa


Rios ocultos

Você Sabia que em São Paulo há mais de 300 córregos e riachos oficiais, mas a equipe do Projeto Rios e Ruas estima que esse numero é no mínimo o dobro, os paulistanos não os vêem porque a partir de 1930, com a intensificação da industrialização de São Paulo, os rios foram gradativamente cedendo lugar para as ruas e os automóveis. Como é proibido erguer um prédio em cima de um rio, para evitar a contaminação do lençol freático, a maioria fica sob o asfalto. O geógrafo Luiz de Campos Jr, um dos idealizadores do projeto, garante que nenhum paulistano mora a mais de 200 metros de um curso d’água.
Infográfico da Veja http://veja.abril.com.br/multimidia/infograficos/rios-de-sao-paulo
O projeto organiza explorações pela metrópole com o objetivo de caçar essas águas enterradas vivas. Uma rua sinuosa, vielas, esquinas com muitos bueiros, paredes marcadas por enchentes são alguns indícios de que, naquele lugar, pode existir um rio. Leia mais a respeito em Tem um rio no meio do caminho - Veja.
Uma das expedições que participei em Julho/2012 com o projeto Rios e Ruas e Virada Sustentável ao Córrego Verde na Vila Madalena, um dos poucos lugares onde pode ser visto (perto do Beco do Batman), a maior parte está canalizada. No local costumam ocorrer muitas enchentes. Existe um projeto de parque linear para recuperar o espaço da nascente e drenar as águas das chuvas evitando enchentes. Conheça melhor o projeto deste parque linear através desse aquivo em PDF. Foto de arquivo pessoal.



O maior desastre natural causado pelo homem devido a transposição de rios

Situado entre o Uzbequistão e o Cazaquistão, na Ásia Central, o Mar de Aral já foi o quarto maior mar interior da Terra, com 66 mil quilômetros quadrados. O desvio das águas dos rios Amu Daria e Sir Daria para projetos de irrigação das plantações de algodão, a partir de 1939 pelo governo da extinta União Soviética, consumiu 90% da água que chegava ao Aral, reduzindo-o a um terço do tamanho original. O que era fundo do mar transformou-se em deserto, com sérios impactos sobre a economia da região, especialmente a pesqueira. A população ainda tem que conviver com doenças resultantes das toneladas de área, sal e pesticidas espalhadas pelos ventos.
No Brasil vemos atualmente a transposição do Rio São Francisco onde está sendo gasto bilhões, mas pouco se estudou a respeito dos impactos ambientais e sociais. Há barragens entregues onde sequer se chega a água até o momento e os danos que estão sendo causados por essa obra são considerados irreversíveis. A WWF fez um estudo, disponível para download em inglês na homepage da organização (www.wwf.org.br), onde se dedica a descrever sete projetos de transposição já implantados, em implantação ou em discussão pelo mundo. À transposição do Rio São Francisco são dedicadas três páginas, onde são analisados argumentos favoráveis e contrários ao projeto. Apesar disso, o estudo da WWF é categórico ao afirmar que obras de transposição são sempre muito caras, trazem impactos negativos ao meio ambiente, comprometem fluxos naturais de rios e a capacidade dos cursos d’água de promover os usos múltiplos de recursos hídricos nas bacias doadoras de água, como abastecimento, navegação e irrigação.

15 de julho de 2013

Lixo plástico oceânico abriga vida secreta

Cientistas descobriram que os resíduos plásticos que poluem os oceanos estão servindo de casa para uma comunidade microbiana batizada de "Plastisphere"

Imagem: SEA Sea Education Association
Conhecida há mais de meio século, a poluição marinha por lixo plástico é um problema ambiental que não para de crescer. Mas um novo estudo, publicado no periódico Environmental Science & Technology, indica que esses resíduos abrigam uma vida secreta.

Os cientistas descobriram que uma multidão variada de microrganismos colonizam e prosperam nessas ilhas submarinas de plástico, representando uma nova comunidade microbiana batizada de “Plastisphere”.

Habitantes do “plastisphere” incluem bactérias patológicas do grupo vibrião, causadoras de cólera e perturbações gastrointestinais, além de micróbios conhecidos por quebrar as ligações de hidrocarbonetos do plástico, ajudando no processo de biodegradação desse material.

Realizada em colaboração por três instituições americanas – o Sea Education Association (SEA), o Marine Biological Laboratory e Woods Hole Oceanographic Institution – a pesquisa analisou pequenos detritos plásticos (alguns de milímetros) encontrados em redes de pesca em vários locais ao norte do Oceano Atlântico nas navegações científicas.

Utilizando técnicas de microscopia eletrônica e de sequenciação de gene, os pesquisadores encontraram pelo menos 1000 diferentes tipos de células de bactérias em amostras do plástico, incluindo muitas espécies individuais não identificadas, que incluíam plantas, algas e bactérias que produzem seu próprio alimento.

Segundo os cientistas, os organismos que habitam a “plastisphere” são diferentes daqueles encontrados na água do mar em outros materiais flutuantes, como madeiras e microalgas. Os plásticos oferecem condições diferentes, incluindo a capacidade de durar muito mais tempo sem degradar, o que indica que eles atuam como recifes artificiais microbianos, selecionando micróbios distintos, dizem os pesquisadores.

Como um novo habitat ecológico, o “platisphere” levanta uma série de perguntas, que deverão nortear as pesquisas daqui pra frente, de acordo com os cientistas. Como ele vai mudar as condições ambientais para outros microrganismos marinhos? Será que no ecossistema global do oceano, essa nova comunidade pode afetar organismos maiores? Como eles estão alterando esse ecossistema, e qual é o destino final dessas partículas no oceano? A conferir.
Fonte: Exame

Leia Mais sobre as ilhas de plástico, lixões marinhos do tamanho do estado de Minas Gerais, Espirito Santo e Rio de Janeiro. 

27 de junho de 2013

Existe extração sustentável do ouro?

Passeando pela web me deparei com esse post no blog Biboca ambiental, e como essa era uma dúvida que eu também tinha, achei interessante e decidi compartilhar aqui.

Existe um método de extração do ouro que não prejudique o meio ambiente e os trabalhadores?

O ouro está presente em joias, equipamentos e na medicina. Os usos do ouro se multiplicam, assim como os problemas ligados à poluição ambiental decorrente da mineração em larga escala.
Os métodos de extração variam de acordo com as características geológicas de cada lugar.
Muitos mineiros realizam suas tarefas em condições precárias e arriscadas. Eles são responsáveis por 10% a 15% da produção mundial desse metal, constituindo 90% da força de trabalho empregada na atividade mineradora.
Às condições de trabalho problemáticas, somam-se os efeitos deletérios da mineração intensiva, não só sobre o meio ambiente, mas sobre os trabalhadores que manuseiam substâncias tóxicas. Entre os desastres ecológicos provocados pela extração não controlada, estão o desmatamento e a poluição dos rios.

Os selos Fairtrade e Fairmined. 

A mineração artesanal e de pequena escala tenta encontrar uma solução para esse problema. A Fairtrade Labelling Organizations (FLO) e a Aliança pela Mineração Responsável (ARM) se uniram para criar uma certificação e assegurar uma metodologia que respeite o meio ambiente e os trabalhadores.
O selo Fairtrade e Fairmined garante que a extração de ouro é livre de produtos químicos que contaminam a terra e prejudicam a saúde dos mineiros, incluindo substâncias tóxicas tradicionalmente utilizadas no processo, como mercúrio e cianureto.

Entre outros pontos, as minas que contam com essa certificação também reconhecem os direitos trabalhistas das mulheres mineiras e proíbem o trabalho infantil. Outros benefícios incluem o pagamento de salários até 10% mais altos que o valor oficial do mercado, e o compromisso de investir no desenvolvimento de projetos que beneficiem a comunidade. Atualmente, a mineração certificada está presente em mais de 55 países.

Muitos trabalhadores da Ásia, África e América Latina adotaram a extração de ouro responsável, mas diversos governos favorecem a extração em grande escala.

Considerando que cerca de 50% da produção de ouro é destinada à fabricação de joias,  o papel do consumidor também é importante. Para que os consumidores saibam em que condições foi extraído o ouro de suas joias, a Aliança pela Mineração Responsável está trabalhando para lançar uma certificação internacional de extração ecológica. Se comerciantes, joalheiros e consumidores se comprometerem a adquirir joias certificadas (ou comprar ouro de forma responsável), estarão contribuindo para solucionar um problema sério.

A auditoria dos sistemas de extração tem vantagens que a tornam recomendável, se quisermos garantir um futuro livre de desastres ecológicos e sociais.

Separei algumas curiosidades e fotos, confira abaixo:

Foto: Correio do Brasil - Pepita de mais de 10 kg encontrada no garimpo de Serra Pelada, no Pará.
Lá também foi encontrada anos atrás uma pepita de ouro de 60 kg (a maior do Brasil), sendo 54kg do minério puro.

Na década de 1980, a antiga mina chegou a ter mais de 80 mil garimpeiros trabalhando ao mesmo tempo, formou-se a chamada corrida do ouro. Estimativas oficiais apontam que, na época, foram extraídas aproximadamente 40 toneladas do metal. No entanto, a conta pode ser maior, pois parte considerável foi vendida clandestinamente.

Em 1987 muitos perderam a vida tentando atingir a cota 190 (altura do nível do mar)  achando que ali 60% ou 70% de todo o material seria ouro puro. A descida foi desenfreada e os barrancos, feitos sem estrutura, desabavam soterrando garimpeiros na própria riqueza que buscavam. Depois desses incidentes houve nova descida que prosseguiu de forma mais racional, menos íngreme em direção ao fundo e mais segura. 

A partir de 1987, quando novamente se aproximavam da cota 190, sabotagens e boicotes se tornaram freqüentes. Diversos motores das bombas de sucção da água foram inutilizados com areia e açúcar em suas engrenagens. A passagem da água criava sulcos nas paredes da cava, aumentando muito o risco de desabamento. Em busca de segurança era preciso derrubar aquelas paredes frágeis dentro do próprio buraco que abriam, para só então recomeçar a cavar. Após muitos dias de trabalho voltavam ao ponto que estavam antes e não passava muito tempo até nova sabotagem ocorrer, exigindo repetir o trabalho. Em 88 se tornou inviável prosseguir com a cava, a extração continuou caindo. Em 1988, foi de 745 kg, e, em 1990, de menos de 250 kg. Em março de 1992 o governo não renovou a autorização de 1984, e o garimpo voltou a ser concessão da Vale.
Em sua parte mais profunda, o lago de Serra Pelada possui 120 metros de profundidade. Acima d'água não difere muito de um lago comum, talvez exceto pela montanha recortada que se projeta morro acima. Abaixo da superfície, depositadas no solo envenenado de mercúrio, estão sobrepostas camadas de ouro, lama, sangue e ganância humana.



Serra Pelada:o formigueiro humano da década de 1980 Foto: Colossus - clique para ampliar.
Devido à recente valorização do ouro no mercado internacional após a crise econômica de 2008-2012, muitos garimpos até então desativados, passaram a ser reabertos. Em 2011, a empresa de mineração canadense Colossus Minerals Inc. se associou à Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (COOMIGASP), formando a joint venture Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral (SPCDM), que irá explorar de forma mecanizada o ouro de Serra Pelada a partir de 2013. No entanto os garimpeiros não estão satisfeitos com a atual gestão da COOMIGASP e desconfiados da empresa Colossus como se pode ver no site da Associação  de  Defesa do Patrimonio dos Garimpeiros Sócios Coomigasp (ADEPAG)

Foto: Rafael Nogueira - Garimpeiro em Morretes-PR
No caso do ouro de aluvião, aquele que  se encontra no sedimento dos rios, a retirada do metal requer técnicas manuais (como a bateia) e a separação de outras substâncias como fragmentos de areia e rochas. Nessa técnica de separação Os garimpeiros jogam o mercúrio junto do aurífero, o mercúrio se une ao ouro formando um amálgama (união do mercúrio com o ouro) que é muito denso e fica depositado no fundo da bateia, enquanto outros sedimentos são levados pelo rio. Depois esse amálgama é  aquecido em altas temperaturas; o mercúrio que tem ponto de ebulição mais baixo se volatiliza (vaporiza); concomitantemente, ocorre a fusão entre as partículas do ouro, no fundo do recipiente. O excesso de mercúrio usado no processo de amalgamação é lançado diretamente no rio. Tanto o mercúrio metálico perdido durante o processo de amalgamação, como o mercúrio vaporizado (posteriormente inalado) durante a queima da amálgama para a separação do ouro, são altamente prejudiciais à vida. As maiores sequelas pela intoxicação por mercúrio se dão no sistema nervoso, podendo levar à perda da coordenação motora; se ingerido ou inalado por grávidas, haverá a possibilidade de geração de fetos deformados.
Essa substância entra na cadeia alimentar da população da região através da ingestão do mercúrio pelos peixes e posteriormente da ingestão dos peixes pela população, além da utilização da água do rio para uso doméstico e utilização na agricultura local. Fonte: Portal do Professor - MEC
Dados do Garimpo do Eldorado do Juma, em Apuí - AM, estimam que uma tonelada do material já foi retirada desde 2006. A quantia chega a R$ 97 milhões. O metal é encontrado desde a Cordilheira dos Andes até a região sul do Estado, nos municípios de Novo Aripuanã, Apuí e Maués.
A exploração do metal atraiu mais 8 mil pessoas no auge do chamado garimpo Eldorado do Juma, em 2006, logo após ter sido descoberto, tomando uma área de cerca de 10 mil hectares. 
Ao longo do rio Madeira existem entre 1,2 mil e 1,3 mil balsas que também praticam atividades garimpeiras mas o garimpo do Eldorado do Juma é o único processo licenciado pela cooperativa dos garimpeiros. Porém não se pode dizer exatamente que seja uma pratica sustentável pois a resolução 011/2012, aprovada em junho/2012 pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente do Amazonas (CEMAAM) libera o uso de mercúrio nas atividade de lavra garimpeira de ouro no Estado do Amazonas. 
Veja porque o mercúrio é usado na mineração de ouro no site O Eco.
Foto e Fonte: Discovery Ajuda
Desde 2004 a iniciativa global Aliança pela Mineração Responsável (ARM) trabalha para melhorar a qualidade de vida e a distribuição de renda dos denominados Garimpeiros Artesanais de Pequena Escala (MAPE), por meio da aplicação de práticas sociais, ambientais e trabalhistas mais justas e igualitárias.

Fundada em Quito por um grupo internacional de mineiros comunitários, ambientalistas, empresários e especialistas em certificação provenientes da Colômbia, Equador, Estados Unidos, Filipinas, Holanda, Mongólia, Peru, Sri Lanka e Inglaterra, a ARM ajuda garimpeiros artesanais a desempenhar sua atividade de maneira digna e responsável.

Desde sua criação, a Aliança pela Mineração Responsável busca replicar esse modelo e inserir os produtores no mercado de metais e minerais certificados com o selo Fairmined.

Entre as organizações mineradoras de ouro certificadas na América Latina, podemos citar a Cooperativa Minera Aurífera Cotapata, da Bolívia; Coodmilla La Llanada, Cumbitara e Oro Verde, da Colômbia; Cooperativa Bella Rica, do Equador; Aurelsa, Cuatro Horas, Macdesa e Associação de Mulheres Garimpeiras Nueva Esperanza, do Peru. Veja mais associados em http://communitymining.org/en/about-arm/stakeholder-alliance

21 de junho de 2013

Hidrelétricas voltam ser liberadas no Pantanal prejudicando a biodiversidade

Uma das maiores planícies úmidas do mundo e Patrimônio Natural da Humanidade, o pantanal é alvo do setor energético, que pretende espalhar pequenas centrais elétricas pela região

No dia 3 de maio de 2013, a decisão que impedia a construção de usinas hidrelétricas na Bacia do Alto Paraguai (BAP), localizada na região do Pantanal, nos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul foi derrubada na Justiça pela desembargadora Marli Ferreira, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), em São Paulo.

Os projetos de novos licenciamentos hidrelétricos no Pantanal foram paralisados em janeiro deste ano, depois de a Justiça acolher a solicitação do Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público Estadual (MPE) de Mato Grosso do Sul, que concluíram, com base em dezenas de documentos, que a construção de represas na Bacia do Alto Paraguai irá alterar os sistemas hídricos e o funcionamento biológico natural de todo o Pantanal.

Construção de hidrelétricas na Bacia do Alto Paraguai no Pantanal. Fonte:  Revista Reciclar Já


Leia a reportagem dos perigos à biodiversidade do Pantanal publicado no dia 17/06/2013 por Clarisse Souza - Em.com.br

Poucos lugares no mundo abrigam tamanha biodiversidade e mesclam características de tantos biomas quanto o Pantanal Mato-grossense. A exuberância da reserva de mais de 140 mil quilômetros quadrados distribuídos entre os estados de Mato Grosso (MT) e Mato Grosso do Sul (MS) é marcada principalmente pelo fato de o bioma ser guardião de milhares de espécies, muitas raras e em extinção. Mas a grande planície alagada que sobrevive graças aos ciclos de cheia e seca dos rios atrai também empresários do setor energético. Nos últimos anos, a região pantaneira tem sido ocupada por dezenas de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Especialistas acreditam que as intervenções estejam alterando o fluxo migratório de espécies aquáticas. Assim como eles, a comunidade ribeirinha cobra uma avaliação ambiental estratégica do conjunto de equipamentos instalados ao longo do pantanal para medir o real impacto que as PCHs geram no funcionamento do ecossistema.

Detentor do título de Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera, concedido pela Unesco, o pantanal é uma das maiores planícies úmidas do mundo, que, graças aos grandes rios que cortam a região, tem formação de grandes inundações de água doce ou salobra em toda sua extensão. Companhias de energia elétrica viram no grande volume de água uma oportunidade de negócio. O interesse é tão grande que além das dezenas de PCHs já em funcionamento nos dois estados, outros 87 projetos estão em andamento. Eles haviam sido suspensos por uma liminar da Justiça em dezembro, que proibía a expedição de licenças ambientais para construção de hidrelétricas até que os órgãos responsáveis apresentassem estudo de impacto do conjunto de PCHs. Mas a liminar foi derrubada em 3 de maio pela desembargadora Marli Ferreira, do Tribunal Regional Federal (TRF) de Cuiabá, depois de um recurso da Associação Brasileira dos Geradores de Energia Limpa (Abragel).

As usinas de pequeno porte que têm sido construídas nos rios do pantanal são capazes de gerar de 1 a 30 megawatts e operam pelo sistema conhecido como fio d’água. Nesse tipo de hidrelétrica, não há formação de grandes reservatórios de água, mas ainda assim a bióloga especialista em ecologia de rios da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Pantanal e professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Débora Calheiros afirma que as PCHs são um risco para o sistema hidrológico da região. Débora observa que a construção de tantas usinas já alterou o fluxo migratório dos peixes, que têm enfrentado problemas para se reproduzir. “As PCHs são consideradas pequenas por sua capacidade de geração de energia, mas qualquer obstáculo que é colocado no leito do rio interrompe seu fluxo e altera o ciclo de secas e cheias, fundamentais para a reprodução de algumas das espécies mais importantes do pantanal”, alerta.

A produção das PCHs, segundo Débora, é pequena e não compensa o impacto ao meio ambiente. “Elas geram cerca de 1% da energia produzida no Brasil”, aponta. Ela diz ainda que as hidrelétricas podem atingir a pecuária. De acordo com a especialista, alguns produtores criam gado em pasto nativo, que depende das inundações para se livrar de alguns tipos de vegetação. “A pecuária extensiva já sofre, pois não observamos cheias tão grandes”, observa. Ela lembra ainda que as secas pronunciadas também são importantes, pois é quando algumas espécies, como as tartarugas, aproveitam para se reproduzir. A bióloga critica a forma como as licenças têm sido concedidas. “Não se pode medir o impacto individual das PCHs quando elas estão em um bioma complexo como o pantanal. O que cobramos é uma avaliação ambiental estratégica de toda a região para sabermos as mudanças que elas podem causar.”

O Tuiuiú é considerado a ave-símbolo do Pantanal onde é a maior ave voadora.

Natureza em declínio
Moradora da região de Cáceres, em Mato Grosso, há mais de 40 anos, Elza Bastos Pereira, de 52, diz ter testemunhado muitas mudanças no pantanal desde que o conjunto de PCHs começou a operar. Ela conta que tem observado alterações no pulso de inundação do pantanal – sistema responsável por controlar as secas e cheias. Presidente da Colônia de Pescadores de Cáceres, ela explica que os peixes são a principal fonte de renda da comunidade ribeirinha. Banhada pelas águas do Rio Jauru, a região é conhecida devido à riqueza em espécies aquáticas e abriga peixes como pintado, piraputanga, jurupoca, dourado e vários outros. Além de serem comercializados, os animais são ainda um atrativo para a pesca turística. Mas, segundo Elza, a população de peixes caiu muito desde que seis usinas foram construídas no leito do rio.

 “É um período de tristeza para a população ribeirinha. Sobreviver da pesca está muito difícil”, lamenta. Elza afirma que as intervenções têm feito o nível do rio baixar mais que o normal, o que resulta na morte dos peixes. O resultado são quedas de até 80% na renda de algumas famílias, o que tem levado pescadores a buscar outra ocupação.

“Fazer estudos pontuais para medir os impactos das pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) é querer enganar a população. O pantanal é composto por um sistema bastante sensível e a instalação de tantas PCHs nessa região tem um grande potencial de impacto. Não temos como dizer com precisão o que vai ocorrer, mas toda a área do pantanal precisa do pulso de inundação, do qual os animais e espécies vegetais dependem para se reproduzir. Mas esse processo ecológico corre o risco de ser alterado com a criação de barragens, mesmo que pequenas, no leito dos rios, gerando interrupção no fluxo de enchentes e secas. Não são apenas os peixes que correm o risco de serem prejudicados. A pecuária também pode ser afetada, pois espécies invasoras podem se proliferar em pastos nativos com a mudança dos períodos de cheia e impossibilitar a criação de gado.” Geraldo Damasceno - Biólogo e professor de ecologia de comunidades vegetais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

"Preocupação é exacerbada", diz sindicalista
Com o argumento de que as pequenas centrais hidrelétricas promovem a geração de energia limpa, representantes do setor de energia elétrica rebatem a opinião dos especialistas e afirmam que as dezenas de usinas em operação têm contribuído para a preservação do bioma pantaneiro. Superintendente do Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica e Gás do Estado de Mato Grosso (Sindenergia-MT), Marcelus Mesquita considera exacerbada a preocupação com os possíveis impactos no sistema hidrológico. “Acreditamos que há um exagero. Estão dizendo que a PCH degrada o meio ambiente, mas as pequenas hidrelétricas usam o sistema de fio d’água e o represamento é muito pequeno”, afirma.

Marcelus observa que para manter o bom funcionamento das usinas de pequeno porte, as empresas licenciadas que operam os equipamentos precisam se preocupar com o acúmulo de sedimentos nos rios e, segundo ele, isso ajuda a preservar a região. “Não pode haver assoreamento nas regiões em que há PCHs, porque isso faz com que as turbinas estraguem. Isso também ajuda a preservar a região”, considera o superintendente do Sindenergia-MT. Ele comemora a decisão judicial que possibilitou a retomada dos licenciamentos na região do pantanal. “O estudo conjunto é inviável e a Justiça entendeu isso. As empresas cumprem todas as exigências da legislação ambiental e vão continuar a solicitar investimentos”, afirma.

Bacia do Alto Paraguai - Pantanal
Enquanto a discussão avança, a pescadora Elza teme pelo futuro do santuário natural. “É o pequeno contra o grande. Temos tentado reverter esse problema na Justiça, mas é preciso agir rápido porque essas PCHs vão acabar com o nosso pantanal”, cobra.

Leia mais: Para onde caminham os rios: Um exemplo norte-americano e a realidade brasileira

12 de abril de 2013

Você sabia que existem praias com areia em tons de rosa?

Em uma postagem anterior falamos sobre 8 lagos com água cor-de-rosa que adquiriram essa cor na grande maioria graças a presença de microalgas, agora vamos conhecer 7 praias das quais a areia tem tons rosados e esse efeito ocorre devido a mistura da areia com pequenos grãos de corais vermelhos danificados ou desgastados (pelo próprio mar).

Confira a lista:

Pink Beach - Komodo National Park – Indonésia

A cor ocorre devido uma mistura de areia de carbonato de cálcio branco e os esqueletos de corais vermelhos, que são relativamente abundantes em certas áreas de Parque Nacional de Komodo. Outras praias de areia rosa são encontrados em algumas das baías orientais em Komodo Island, bem como em Padar sul. O Parque Nacional de Komodo é a verdadeira maravilha do mundo, uma das últimas fronteiras do mundo subaquático - mergulhar em Komodo Marine Park não tem comparação.

Pink Beach - Harbor Island, Bahamas

Possui grande beleza natural, resorts elegantes e, mais importante, três quilômetros de areia perfeitamente rosa e águas calmas. O oceano é ideal para a natação - quente durante todo o ano e geralmente calmo, protegido das ondas do Atlântico por um recife de coral.

Pink Beach - Horseshoe Bay, Bermuda

Conhecida como uma das mais belas praias de Bermuda, esta faixa oferece mais facilidades e comodidades que qualquer outra praia pública na ilha, pois tem várias atividades: uma competição de vôlei de praia semanal ocorre nos meses de verão e há uma abundância de passeios de barco disponíveis para aqueles que querem explorar os locais cênicos ao redor deste paraíso rosa. Essas faixas de areia são tripuladas por salva-vidas de maio a setembro - às vezes suas correntes ficam perigosas.
Fonte: http://www.tropicalsky.co.uk/blog/top-ten-beaches/
Fonte: http://adventuregirl.com/bermudas-top-10-beaches/

Pink Beach - Santa Cruz Island – Philippines

As Ilhas de Santa Cruz são as mais populares entre as 28 ilhas da cidade de Zamboaga, é composta de a "Great Santa Cruz Island" e "Little Santa Cruz Island" Só a "Grande Ilha" de Santa Cruz está aberta ao público desde que toda a área foi protegida e se tornou parque natural. A cor das areias é causada pela abundância de sedimentos vermelhos dos tubos de coral misturados com a areia branca.
Fonte fotos acima: http://www.ambot-ah.com/santa-cruz-island-pink-sand-beach-zamboanga/

Budelli Island, Sardinia – Itália

Uma das ilhas do arquipélago Maddalena; Budelli tem uma área de apenas 1,6 quilômetros quadrados. Em sua areia há às inúmeras conchas e pequenos fragmentos de corais vermelhos. Hoje em dia ninguém mais pode alcançar a praia devido ao fato de que os turistas foram retirando as areias, no entanto, pode ser apreciado a partir do mar.
Fonte: http://www.parks.it/parco.nazionale.arcip.maddalena/Epun.php

Pink Beach, Ilha Bonaire, Caribe

Pink Beach é a maior praia da ilha. Possui areia fina e rosa é muito popular para nadar e tomar sol. Para snorkeling e mergulho você precisa nadar uma distância razoável da costa. Esta praia foi destaque de diversas revistas de viagens como uma das melhores do Caribe.

Balos Lagoon, Creta – Grécia

Tem areia branca e rosa e muitas, muitas conchas - na verdade, a cor-de-rosa da areia vem de conchas antigas que foram transformadas pelo poder do mar. As águas são rasas, cristalinas e quentes. Como Balos é uma lagoa, natação aqui é como nadar em uma piscina.
Fotos http://www.cretanbeaches.com/Beaches/Chania/balos-lagoon/
Texto adaptado de The real Wonder of the World por Luciana Cantanhede Dose de Sustentabilidade

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