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25 de setembro de 2014

UM JEITO NOVO E SUSTENTÁVEL DE PEGAR CARONAS - Conheça a plataforma TRIPDA


Ser sustentável é desfrutar adequadamente e de forma responsável dos recursos naturais à nossa disposição, permitindo que futuras gerações também possam satisfazer suas próprias necessidades. A sustentabilidade é um dos pilares centrais da Tripda que atua em suas três dimensões: ambiental, econômica e social.
A nova plataforma de caronas, Tripda (www.tripda.com.br), é um sistema compartilhado de caronas, a qual as pessoas podem tanto oferecer quanto pegar caronas para qualquer lugar do Brasil. O site funciona da seguinte maneira: para se cadastrar você deve se logar na plataforma utilizando seu Facebook e, em seguida, completando as informações adicionais.
Para quem deseja “procurar carona” é muito simples, basta colocar seu local de saída e para onde pretende ir, seguido da data e clicando em pesquisar. O site vai mostrar todas as caronas e rotas disponíveis com um preço sugerido pelo site, informações, avaliações dos motoristas e horários. Ficando o seu critério escolher a carona que melhor se adapta a sua necessidade. Quando escolhida a carona, você deve reservar e aguardar a confirmação do motorista através de um e-mail e SMS de confirmação deste.
Caso você tenha carro e deseja reduzir custos e compartilhar lugares vagos no carro, basta entrar no site e clicar em “oferecer carona” você vai preencher as informações da viagem, como local de saída, chegada, horário, se é uma carona recorrente ou não, lugares disponíveis, informações complementares sobre suas preferencias e informações do carro, confirmar a oferta da carona e só aguardar que a Tripda lota seu carro.
Viajar de carona com a Tripda é mais barato do que pegar ônibus e avião, além de ser rápido, confortável e interativo.
Sobre questões de segurança: a Tripda se preocupa tanto com quem oferece, quanto com quem pega carona, e por isso o cadastro no site se deve através do Facebook. Após cada viagem, tanto quem ofereceu quanto quem pegou carona poderá avaliar um ao outro, tornando a experiência ainda mais segura e positiva.
Em breve todos os usuários vão poder desfrutar do aplicativo no celular, saiba mais sobre a plataforma e não deixe de oferecer ou pegar uma carona: www.tripda.com.br !

O sistema de carona solidária é cada vez mais importante nas grandes cidades para reduzir os congestionamentos e diminuir emissão de gases e poluição do ar, necessidade de cada vez mais estacionamentos, também permite interagir com novas pessoas, economizar, e tantos outros benefícios (tanto para o passageiro, quanto para o motorista). Muitos países como EUA, Canadá e União Europeia tem incentivado essa prática.
A plataforma do site Tripda é bem intuitiva, fácil de usar e possui no seu cadastro a opção de suas preferencias: como fumar, comer, tolerância a músicas ou levar animais no carro.
Site Tripda: Pesquisa de caronas.

12 de maio de 2014

Suécia aposta em brasileiros para projetos inovadores de sustentabilidade

A Embaixada da Suécia no Brasil, em parceria com o CISB (Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro) e com as instituições de ensino USP (Universidade de São Paulo) e UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), está promovendo um concurso nacional, o Quick Challenge, que irá premiar dois vencedores brasileiros com a oportunidade de participar em workshops exclusivos de inovação e sustentabilidade.

Os workshops em questão acontecerão nos dias 19 e 21 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente. Além da participação no evento fechado para convidados, os ganhadores do concurso também serão premiados com passagens e hospedagem nos locais das palestras.

As discussões programadas para acontecerem nos eventos têm como foco o desenvolvimento de projetos inovadores de sustentabilidade urbana relacionados às atividades “Transporte” e “Alimentação”. Desses workshops espera-se que as ideias desenvolvidas sejam inscritas em um desafio global de inovação, o Smart Living Challenge, que tem por objetivo reunir sugestões de melhoria em processos cotidianos nas ações de “Transporte”, “Alimentação” e “Moradia”.

O Smart Living Challenge selecionará 15 projetos vencedores para que seus idealizadores viajem para a Suécia e se encontrem com investidores que poderão ajudar na implementação real de suas soluções.
Para se inscreverem no concurso nacional para a participação nos workshops exclusivos, os interessados devem acessar o seguinte link até o dia 11 de maio: http://studentcompetitions.com/competitions/smart-living-challenge. O resultado desse concurso será divulgado no dia 15 de maio nas redes sociais da Embaixada da Suécia no Brasil e do CISB, além das páginas das universidades, que são:

Facebook Swedish Embassy In Brazil
Twitter Sweden In Brazil
Linked In Embassy of Sweden In Brazil
Facebook CISB
Linked In CISB
Facebook Incubadora de Empresas COPPE/ UFRJ

Na próxima semana serão divulgadas mais informações sobre o concurso internacional Smart Living Challenge, para o qual os workshops serão voltados

UPDATE 18/05/2014

Um júri formado por profissionais como arquitetos, empreendedores, designers, entre outros, julgarão os 15 melhores trabalhos submetidos no mundo. Os vencedores serão levados à Suécia em dezembro, durante a semana de entrega dos prêmios Nobel, e visitarão centros de inovação em Estocolmo, Gotenburgo, Malmö e Kiruna. Durante a viagem, se encontrarão com investidores que poderão bancar suas ideias e torná-las realidade.

Workshops

Convidados especiais terão ainda a oportunidade de assistir workshops de preparação ao desafio presencialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, nos dias 19 e 21 de maio, respectivamente. Em São Paulo, o tema será “Transporte” e a Embaixada Sueca conta com o apoio do Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (CISB) e da USP, que sediará o evento. No Rio de Janeiro, o tema será “Alimentação” e tem apoio da UFRJ, onde será realizado o workshop. Os workshops contarão com profissionais que discutirão os temas propostos a fim de estimular a geração de ideias que serão submetidas pelos competidores.  Para Magnus Robach, Embaixador da Suécia no Brasil, o país é um parceiro estratégico na área de inovação e desenvolvimento sustentável, e os workshops ajudarão a criar contatos com talentos brasileiros na área.

“Com a participação dos brasileiros nos workshops e no Smart Living Challenge, esperamos ver ideias muito interessantes baseadas nas condições urbanas do país. A Suécia tem centenas de atores com experiência em áreas como energia, manejo de resíduos, saneamento e transporte, e, através do desafio, queremos conectar os ganhadores com atores que possam ajudar a realizar as suas ideais inovadoras. Por meio do desafio e de seu cenário inovador, esperamos também aumentar os conhecimentos de estudos e pesquisa na Suécia”, declara o Embaixador.


Informações
www.smartlivingchallenge.com

11 de março de 2013

Vancouver Land Bridge - uma ponte verde

Ao invés de simplesmente atravessar uma passarela sem graça para se chegar ao Parque Nacional Histórico Fort Vancouver, em 2008 o arquiteto americano Johnpaul Jones projetou a Vancouver Land Bridge, na cidade de Columbia River, nos Estados Unidos, que tornou essa travessia muito mais agradável e cultural. 



A ponte faz parte de um projeto de revitalização e restauração da região e atravessa uma rodovia (State Route 14), ligando o Rio Columbia ao Fort Vancouver. Ela custou cerca de 27 milhões de dólares.

Durante a implantação
O caminho serpenteia através da ponte com uma paisagem interpretativa de pradaria, pastagem e mata nativa, possui sistema de captação de água da chuva e encontra-se no percurso obras de arte criadas pela equipe do projeto e artistas locais. Proporciona às pessoas deixarem o carro em casa e usar o transporte público para atravessar a passarela - uma linha de trem começa a poucos metros dali.


Essa ponte que mistura diferentes conceitos de sustentabilidade também remete ao passado, com referências a cultura indígena do noroeste americano: as formas arredondadas foram inspiradas no círculo da vida, um dos principais símbolos das tribos que lá viviam, e que ajudaram Lewis e Clark durante sua expedição que foi a primeira a explorar a costa oeste do país, entre os anos 1804 e 1808.


Fontes: Casa e Jardim , Laud8 e Toque de Magis

4 de janeiro de 2013

Parklets: lazer e zonas verdes nas cidades

Em cidades dos EUA, vagas de estacionamento nas ruas estão sendo transformadas em parques em miniatura. ONG quer trazer ideia ao Brasil

Parklet em São Francisco. Menos dois carros e parada para a bike
Foto: Galileu
Quem quer o sossego e o verde de um parque nas grandes capitais brasileiras precisa andar um bocado e enfrentar o trânsito se não tiver a sorte de morar do lado de um Ibirapuera, em São Paulo, por exemplo. O que os Parklets propõem é o contrário. São miniparques urbanos feitos em espaços pequenos que podem ser de uma vaga de estacionamento na rua ou o final de um beco sem saída.

Nascida em São Francisco, na Califórnia, em 2004, a iniciativa já ganhou 70 unidades em várias cidades americanas e no Canadá. Há espaços apenas com bancos para descanso, outros com aparelhos de ginástica e até wifi livre para os passantes. A organização não-governamental Mobilidade Verde pretende trazer o modelo para o Brasil. “Estamos fechando parceria com escritórios de arquitetura para fazer o primeiro Parklet brasileiro no bairro paulistano da Vila Madalena”, diz Lincoln Paiva, presidente da ONG. Se der certo, depois pretendem levar a ideia para as regiões do Itaim Bibi, Vila Olímpia, Moema e Centro. “A proposta é recuperar áreas públicas tomadas pelos carros e devolvê-las para as pessoas.”

Iniciativas similares já acontecem em grandes cidades brasileiras no Dia Mundial Sem Carro, comemorado em 22 de setembro, quando vagas nas ruas são transformadas em áreas de lazer, mas somente naquela data. A ideia, agora, é ter espaços mais permanentes. Para isso, a ONG pretende ter autorização da prefeitura e aposta na Lei Cidade Limpa — que proibiu o uso de outdoors na cidade em 2007 — para ter apoio da iniciativa privada. “A lei garante que os espaços públicos podem ser patrocinados, desde que sejam destinados à população.”

Ainda que os automóveis já precisem disputar espaço na cidade, Paiva não vê a diminuição de poucas vagas de estacionamento como um empecilho ao projeto. “Os motoristas reclamam no início, mas esse tipo de iniciativa facilita uma mudança comportamental. As ruas voltam a ter gente, o trânsito fica menor na região.”

Se a reclamação for demais, a ONG poderá lançar mão de um modelo implementado em Nova York, em parceria com a secretaria de transporte, em que os parklets ocupam por seis meses um mesmo espaço.

por Vinícius Cherobino do site Galileu

Veja mais imagens:
Foto: Laughing Squid, parklets em São Francisco
Foto: Eyes on the street, na Filadélfia.
Foto: Architectural Record - São Francisco
Foto: The Examiner - São Francisco

31 de outubro de 2012

Ao invés de enterrar um rio, enterrem as rodovias.


Antes e Depois de a rodovia ser enterrada.

Muito interessante e ousada a visão de Madri, capital espanhola, para recuperar o rio que corta a cidade – as rodovias marginais foram enterradas em túneis e os imensos espaços ao ar livre, antes ocupados pelos carros e tráfego intenso, transformados em jardins e praças.

Vale a pena conferir o artigo da revista aU (Por Mariana Siqueira Fotos Jeroen Musch) na íntegra:

As vias marginais que antes sufocavam o rio Manzanares em Madrid foram enterradas. Acima delas, parques passaram a ligar os bairros, estabeleceram novas formas de mobilidade e um novo modo de viver a cidade. São 6 km de vias lineares transformadas em parques e três anos de construção: a capital espanhola deu um passo ousado e encarou o desafio de devolver um rio aos cidadãos.

Você sabia que por Madri passa um rio? Ao contrário de Paris, Londres, Roma e outras capitais europeias, cujas vidas urbanas se vinculam diretamente aos leitos de seus rios, Madri sempre teve uma relação discreta e distante com o rio Manzanares, situado a menos de 1 km da Plaza Mayor.

A origem da cidade, no entanto, relaciona-se com sua presença. Os árabes souberam aproveitar a configuração geográfica caracterizada por um curso d’água localizado ao pé de um platô, que favorece o abastecimento, a mobilidade e a proteção. No decorrer dos séculos, o rio foi um ambiente de caráter rural, em cujas margens floresciam hortas e pomares, batiam roupas as lavadeiras e trabalhadores se banhavam em dias de ócio e calor. Mas a expansão da trama urbana deu as costas ao rio. Como consequência, o Manzanares permaneceu entre esquecido e ignorado pela cidade.

Na década de 1960, o governo decidiu instituir uma série de rodoaneis na capital. E nada parecia mais natural do que aproveitar o vale do rio para instalar trechos das pistas de alta velocidade que conectariam rodovias que chegavam dos quatro cantos do país. Na década seguinte foi construída a rodovia M-30, com essa função.

No entanto, a construção do anel viário foi muito mais complicada e lenta do que o previsto. A demora fez com que a trama urbana extrapolasse os limites daquela que deveria ter sido uma via periférica. A rodovia estava, de repente, inserida na mancha urbana. Alterado o contexto, até houve um trecho que ganhou semáforos.

O estrago estava feito. A cidade em expansão viu-se sumariamente fragmentada pela rodovia. O rio, que finalmente estava integrado ao corpo da cidade, o fazia na triste condição de barreira física e psicológica. Definiram-se assim, apesar da pouca distância entre os novos bairros e o centro da cidade, a Madri de dentro e a Madri de fora. O rio ficou espremido pelas pistas em ambas as margens. A relação entre os cidadãos e o âmbito fluvial desapareceu e o leito do Manzanares, canalizado, ficou completamente isolado, inacessível e invisível.


A gestão do prefeito Alberto Ruiz-Gallardón, entre 2003 e 2007, dedicou-se a levar a cabo a já histórica necessidade de modernização da M-30. Os objetivos perseguidos foram a melhoria da qualidade ambiental da cidade, aliada ao aumento da mobilidade.

Foram feitas intervenções pontuais ao longo dos 43 km da rodovia. Seu uso foi adequado de maneira a torná-la mais eficiente, do ponto de vista de distribuição do tráfego urbano. Uma das consequências diretas foi a diminuição do acesso de veículos ao interior do anel, o que devolveu o protagonismo do pedestre a inúmeras ruas e praças do centro.

A medida mais relevante foi, provavelmente, o soterramento da M-30 no trecho em que se encontrava com o rio Manzanares. Aqui, são seis quilômetros de vias. Todas desapareceram da superfície ao serem acondicionadas em túneis, com o intuito de eliminar a barreira que a dupla M-30/rio Manzanares representava.

Em 2005, foi realizado um concurso internacional de ideias para que se propusessem respostas à pergunta: “o que fazer com este vazio no centro da cidade, que abraça mais de cinco quilômetros do rio Manzanares?”.

A equipe vencedora, composta pelos escritórios Mrío Arquitectos, espanhol, e West 8 Urban Design and Landscape Architecture, holandês, considerou que um dos principais potenciais dos espaços livres gerados junto ao rio era o de estabelecer conexões – de diversas naturezas, em diversas escalas.

Na escala territorial, evidenciou-se a possibilidade de conectar as paisagens naturais presentes ao sul e ao norte de Madri, cuja contiguidade havia sido interrompida pelo crescimento da cidade. O rio recriaria esse nexo e abriria Madri para a paisagem do território no qual se insere.

Na escala metropolitana, revelou-se a preciosa oportunidade de conectar uma extensa série de espaços públicos e verdes, que até então estavam desconexos e fragmentados. Se a área liberada pelo soterramento da rodovia é de 150 ha, a área total de zonas verdes em continuidade passaria a ser de 3 mil ha. Parques que tinham relevância apenas na escala dos bairros foram incorporados a uma rede de envergadura metropolitana.

Além disso, Madrid Río configura-se como uma importante intervenção sobre o legado arquitetônico e monumental de uma cidade. Construções que se encontravam ilhadas no mar de concreto e asfalto da M-30 e percursos que haviam sido por ela interrompidos voltaram a ser acessíveis aos cidadãos e foram valorizados ao receber adequados contextos para sua apreciação.

Se, em escala territorial, a cidade era um obstáculo às dinâmicas próprias ao rio, na escala urbana era o rio quem obstruía dinâmicas próprias à cidade. Isso foi resolvido com o estabelecimento de novas conexões entre as margens do Manzanares, costurando o tecido urbano e integrando os bairros além-rio ao centro.

Para isso, foram renovadas as travessias existentes. As barragens históricas foram restauradas e convertidas, com a adição de discretas passarelas de madeira, em pontes de pedestres. Foram, também, criadas novas conexões, como a Puentes Cáscara, de delgadas membranas de concreto que conformam um espaço interior distinto e possibilitam a travessia sobre intrincados mosaicos contemporâneos­, obras do artista Daniel Canogar. Enquanto isso, uma das pontes que integrava o sistema viário recebeu um jardim com gramado e árvores para integrar o percurso dos parques, uma vez perdida sua função primeira.

Na escala local, a estratégia de materialização do projeto baseou-se no uso de elementos naturais – primordialmente vegetais, com alta densidade de plantio ao longo de toda a extensão – e minerais, com o intenso uso do granito como matéria-prima para o mobiliário urbano (guias, bancos, revestimentos) e para as intervenções paisagísticas (gruta, rio seco etc.). É importante notar que foram utilizadas peças de rejeito de pedreira, que normalmente seriam descartadas.

Essa materialização de caráter eminentemente natural é feita sobre a rodovia subterrânea, expressão máxima da ação artificial. Realmente, um dos maiores desafios do projeto foi fazer dialogarem elementos da infraestrutura enterrada que emergem à superfície, como respiradouros e saídas de emergência, com as partes integrantes dos projetos paisagísticos. As soluções adotadas dependeram do contexto e do caráter do parque em questão. Na maior parte das vezes, definiu-se o nível das áreas do parque a partir do nível de chegada dessas estruturas, pela criação de topografia (suave em certos casos, ondulante em outros). O ar proveniente do túnel é filtrado antes de ser liberado para o exterior, nas saídas de ar.

No intuito de resgatar elementos da paisagem e da história ribeirinha, apostou-se na criação de certas ilusões que aproximassem o usuário das naturezas ambientais e históricas do rio.

Essas aspirações encontraram expressão em um conjunto de parques e jardins estruturados no conceito de “3+30″. Três são as Unidades de Paisagem criadas. Trinta são, metaforicamente (na prática, foram cinco vezes mais), as intervenções em escala local entregues pelo projeto.

As três Unidades de Paisagem, com seus projetos específicos, são o Salón de Pinos, a Cena Monumental e o Leito do Rio.

Salón de Pinos É a coluna vertebral do projeto, um parque linear estreito e longo (em média, 30 m de largura e quase 6 km de comprimento), composto por mais de 9 mil pinheiros próprios da zona mediterrânea, que remetem à paisagem ao norte de Madri.

Nos encontros do parque com as pontes históricas – Puente de Segóvia e Puente de Toledo – o parque se espraia e se converte em jardins que dão às monumentais pontes um adequado embasamento paisagístico. Salón de Pinos é uma abóbada verde que sombreia uma concorrida via de pedestres e ciclistas que conecta os dois extremos do projeto de quase seis quilômetros de extensão.

Leito do Rio Ao sul, a trama urbana se afasta das margens do Manzanares, liberando a maior superfície de atuação do projeto. O Parque da Arganzuela remete à várzea inundável do rio, em suas origens, e do seu “meandrar” pelas zonas adjacentes com uma série de caminhos e intervenções que fazem referência a essa curvilínea morfologia fluvial.

Junto ao Parque, encontramos o antigo matadouro da cidade, o Mataderos, agora renovado e convertido em complexo cultural, amplamente utilizado. Intervenções em menor escala buscaram aumentar a permeabilidade da cidade em relação ao rio, com aumento da arborização e valorização da mobilidade de pedestres e ciclistas.

Durante a execução do projeto, em 2008, estourou a crise financeira que abalou profundamente a Europa e foi intensamente sentida na Espanha. Houve discussões sobre parar ou continuar o projeto e se apostou por sua continuidade. O projeto foi entregue dentro do prazo, antes das eleições gerais de junho de 2011.

Madrid Río não oferece soluções prontas sobre como lidar com estruturas obsoletas ou como restabelecer o vínculo com o território e com a história, mas certamente indica caminhos. O projeto escolhe pontos-chave para a atuação urbanística, e estabelece uma boa sinergia entre os espaços públicos de uma cidade, além de dar ao rio um papel fundamental no fortalecimento dos laços entre o cidadão e o território.

O projeto nos lembra, fundamentalmente, que a cidade é uma obra dinâmica que se faz, desfaz e refaz cotidianamente, como resultado de ações individuais e coletivas, respaldadas pelo poder político. Soluções que no passado se acreditavam serem pertinentes, mas que hoje se mostram ultrapassadas, podem e devem ser corrigidas. Cabe ao cidadão saber que uma cidade melhor é possível. Mais do que isso: cabe exigir que assim seja.
Fonte: Instituto Cidade Jardim

Veja mais em Parque Lineal Del Manzanares e madrid río: 50 fotos desde los puentes del nuevo parque de madrid (2011)
Madrid Rio inclui 11 áreas para crianças, seis espaços para idosos, 30 quilômetros de ciclovias e 253.601 m² para esportes. Além disso, mais de 33 mil árvores plantadas e 429 hectares de parque.
Entre as atividades, pode se jogar futebol, basquetebol, handebol e tênis.
Também há pistas de patinação e de skate, uma parede de escalada e no verão você pode fazer canoagem.
Os mais velhos podem desfrutar de bocha, enquanto as crianças podem usar uma tirolesa.

Consegue imaginar as cidades brasileiras seguindo esse exemplo?
Os rios Tietê e Pinheiros em São Paulo/SP necessitam de um projeto como este!

8 de outubro de 2012

Notícias Verdes 4º Edição

[Aquecimento Global] Império Romano e Dinastia Han cooperaram com aquecimento global
Séculos antes da Revolução Industrial, ou do reconhecimento do aquecimento global, impérios antigos como o romano e o chinês já estavam produzindo poderosos gases estufa através de suas atividades diárias. A queima de material vegetal para cozinha, a limpeza de terras para a agricultura e o processamento de metais liberaram milhões de toneladas de metano na atmosfera a cada ano, durante diversos períodos da história pré-industrial, segundo o trabalho, publicado quinta-feira (4) na Nature.

[Biodiversidade] COP-11 da Biodiversidade começa na Índia, em meio à crise financeira mundial

Representantes de mais de 190 países se reunirão a partir de 08/10/2012 na cidade indiana Hyderabad para definir estratégias de financiamento para a proteção da biodiversidade mundial.

COP11 da Biodiversidade: metas e ritmo
Pessimistas já falam em fracasso, jornalistas cobram números concretos. A opção do secretário executivo é investir no pragmatismo, propondo menos ênfase em negociações e mais troca de experiências

Governo do Tocantins retira apoio a projeto de safári africano no Jalapão
A ideia era chamar a atenção para a “intenção” de preservar o meio ambiente, mas o objetivo final era fazer desse ambiente artificialmente construído um reduto de turismo de luxo.
Para preservar, é mais importante deixar os animais africanos na África e elaborar projetos locais de turismo sustentável, que privilegiem a educação ambiental e preservação da fauna brasileira, sem tratar a natureza como negócio.

[Economia Verde] Abramovay, Giannetti e Dowbor discutem otimismo de Muito Além da Economia Verde
Encontro para discussão baseada no livro recém lançado Muito Além da Economia Verde, de Abramovay.
Os limites planetários já foram ultrapassados e não há mais como viver em uma sociedade com tantas desigualdades sociais e econômicas. As perguntas que fazem ao homem de hoje são: “Qual é o sentido da vida econômica? Produzir mais para quê?”.

[Tietê] Conheça o mergulhador do rio Tietê
Há mais de 20 anos, José Leonídio Rosendo dos Santos mergulha nas águas sujas dos rios que cortam a capital paulista: Tietê e pinheiros. ele ajuda a retirar geladeira, fogão e até um ou outro cadáver. Conheça aqui o trabalho deste corajoso homem.

[Desmatamento] Muda critério de ranking de municípios desmatadores
"Serão trabalhados dados mais atuais. Com isso, serão incluídos na lista os municípios onde, realmente, ocorre um desmatamento mais ativo".

[Eleições] Eleitores protestam contra sujeira nas eleições e jogam “santinhos” na Câmara
Em frente à entrada da Câmara dos Vereadores de Guarulhos, milhares de santinhos foram espalhados no chão como forma de protesto. Estampados em faixas estavam palavras de protesto como “chega de santinhos”, “onde está a sustentabilidade?” e “devolva o que nos pertence”.

[Mobilidade] Google Maps cria navegação guiada por voz para ciclistas
Aplicativo do Google pode ser usado como GPS para bikers. Essa inovação veio junto com a inclusão de dez novos países na lista dos que contam com o serviço tradicional de rotas para bike. Já existem hoje mais de 530 mil quilômetros de rotas para ciclistas no Google Maps ao redor de todo o mundo.

Olimpíadas Rio 2016 contarão com transporte sustentável
O deslocamento dos milhares de atletas e das pessoas que trabalharão nas Olimpíadas e Paralimpíadas do Rio, em 2016, será feito por uma frota de 4,5 mil veículos movidos a energia limpa. Os modelos sedãs, sedãs de luxo e SUVs, que foram cedidos pela Nissan, serão elétricos ou utilizarão etanol como combustível. A medida faz parte do plano para atingir as metas de sustentabilidade definidas para os Jogos.

[Reciclagem] Novo concreto é elaborado a partir de material reciclável
A areia de fundição (utilizada em moldes nos processos de fundição de peças metálicas) substitui 70% da areia normalmente utilizada, e a escória de aciaria (resíduo que sobra da produção do aço) substitui 100% da pedra. O produto se utiliza de resíduos sólidos industriais, fazendo uma reciclagem e dando uma nova utilização para eles, o que propicia a economia de recursos naturais. O produto pode ser usado em guias, mobiliário urbano e na execução de contrapisos e calçadas.

[Alimentação] Comida japonesa pode fazer mal à saúde e prejudicar o meio ambiente
A manipulação de Salmão nos cativeiros  resulta alta concentração de gordura – enquanto os naturais possuem altos índices de Ômega 3, o de cultivo apresenta uma concentração muito alta de gorduras saturadas. Enquanto que o atum sofre risco iminente de extinção mas, ao contrário do salmão, não tem sido cultivado em cativeiro para evitar a pesca predatória.

Já conhece a campanha Segunda sem Carne?
A Campanha Segunda Sem Carne se propõe a conscientizar as pessoas sobre os impactos que o uso de carne para alimentação tem sobre o meio ambiente, a saúde humana e os animais, convidando-as a tirar a carne do prato pelo menos uma vez por semana e a descobrir novos sabores.
Existente em vários outros países, como nos Estados Unidos e no Reino Unido, a campanha foi lançada em São Paulo em outubro de 2009 numa parceria da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) com a Secretaria do Verde e Meio Ambiente (SVMA) da prefeitura, posteriormente estendendo-se a várias outras cidades brasileiras.


Por hoje é só pessoal, boa leitura!

20 de setembro de 2012

Dez razões para levar a sério o Dia Mundial sem Carro

19/09/12 por Eduardo Carvalho

No próximo sábado (22) celebra-se mais uma edição do Dia Mundial sem Carro. Veja aqui algumas razões que emprestam sentido a essa data.


1) Tamanho é documento
A multiplicação indiscriminada da frota automobilística já é um dos maiores problemas da Humanidade. Na maioria das capitais brasileiras (e mundiais) já não há a chamada “hora do rush”, porque sucessivos congestionamentos em diferentes horas do dia colapsam o trânsito progressivamente. A construção de mais pontes, viadutos, túneis ou vias expressas são paliativos, não resolvem efetivamente o problema, como muitas vezes, indiretamente, contribuem para estimular o uso do carro. A mobilidade urbana se tornou questão central do debate sobre qualidade de vida nas cidades.

2) É bom para a economia?
Estima-se que o setor automotivo responda por aproximadamente 20% do PIB brasileiro. Entre 2009 e 2011, as montadoras de veículos informam ter recolhido em impostos diretos R$ 137 bilhões. Se as montadoras de todo o planeta fossem um país, este seria um dos dez mais ricos do mundo. É bom lembrar que junto às linhas de montagem, orbitam os setores de autopeças e combustíveis, além do mercado de seguros e outros agregados. Se não há dúvida de que os automóveis fazem girar a roda da economia, também é certo que o impacto do crescimento da frota nas cidades tem inspirado outro gênero de contabilidade preocupante.

Segundo o secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho de São Paulo, Marcos Cintra, os prejuízos causados pelos engarrafamentos crescentes na cidade somam R$ 52,8 bilhões por ano, o equivalente a mais de 10% do PIB municipal. Um crescimento de 60% nos últimos quatro anos. Se outras cidades incomodadas com os engarrafamentos realizarem cálculos semelhantes, os resultados deverão ser surpreendentes.

3) A questão do IPI
Sabe-se que o governo federal reduz periodicamente o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) que incide sobre automóveis, toda vez que o setor reclama de queda nas vendas e risco de desemprego. Essa é uma questão polêmica,  uma vez que a medida não vem acompanhada de contrapartidas sociais e ambientais que pudessem justificar tamanha renúncia fiscal.
Nos Estados Unidos, o governo Obama socorreu as montadoras com pesadas contrapartidas (manutenção do emprego, maior eficiência e inovação tecnológica na direção de uma nova geração de motores mais econômicos). É lamentável que o dinheiro arrecadado pelo governo com a venda de carros não esteja sendo devidamente investido em transporte público de massa eficiente, barato e rápido. Não custa checar também o quanto as montadoras de veículos instaladas no Brasil transferem em divisas para as respectivas matrizes fora do país.

4) O “carrocentrismo”
No livro “Muito Além da Economia Verde” (Ed.Abril) o professor titular do Departamento de Economia da FEA e do Instituto de Economia Internacional da USP, Ricardo Abramovay, afirma que o automóvel é “a unidade entre duas eras em extinção: a do petróleo e a do ferro. Pior: a inovação que domina o setor até hoje consiste mais em aumentar a potência, a velocidade e o peso dos carros do que em reduzir seu consumo de combustíveis (…) O mais grave é que ali onde houve inovações nessa indústria ela se voltou mais a preencher desejos privados por carros maiores, mais rápidos e de melhor desempenho do que a reais interesses públicos por veículos mais econômicos e de uso partilhado. Foi só em 2007 que, pela primeira vez em 32 anos (houve um precedente logo após a primeira crise do petróleo), a lei americana impôs metas de economia de combustíveis aos veículos fabricados pela indústria automobilística.

5) Lata de sardinha
O sucateamento do transporte público no Brasil –- responsabilidade dos governos –- determina um dos maiores fatores de estresse para milhões de brasileiros. Só quem é passageiro e já passou pelo aperto de um trem, de um metrô, de um ônibus ou de uma barca (experiência desconhecida pela maioria dos governantes, alguns dos quais muito mal acostumados com os batedores que escoltam seus carros oficiais ou vivem refugiados no vai-e-vem de helicópteros barulhentos) sabe o tamanho do desgaste físico e emocional que isso representa.
Em boa parte dos casos, quem sofre a agonia diária de chegar ao trabalho exaurido, com a roupa amarrotada e cansado pelas horas de aperto no transporte coletivo, sonha em ter um carro para se livrar desse pesadelo. O raciocínio é mais ou menos o seguinte: melhor sofrer nos engarrafamentos em seu próprio carro, ouvindo um agradável “sonzinho” no ar -condicionado, do que seguir apertado por aí. O que parece ser lógico e justo no campo individual constitui um enorme problema na esfera coletiva. A incompetência dos governos em assegurar o direito constitucional de um transporte público decente agrava a perda da mobilidade urbana numa escala sem precedentes.

6) Uma questão de saúde pública
Os dados são do dr. Paulo Saldiva, pneumologista da USP: quem mora em São Paulo, cidade com o maior número de carros do Brasil, onde a maior fonte de poluição vem justamente do escapamento dos veículos, está vivendo em média dois anos a menos em função de problemas causados ou agravados pela inalação de poluentes presentes na fumaça. São aproximadamente quatro mil óbitos por ano.

7) O maior dos sonhos de consumo
Concebido inicialmente apenas como um meio de transporte, o carro foi ganhando, ao longo de sua história – talvez mais do que qualquer outra invenção moderna – uma representação simbólica que explica o fascínio que exerce sobre as pessoas em todo o mundo há muitas décadas. A  publicidade soube trabalhar bem esse sentimento, transformando no imaginário coletivo os carros em metáforas de nossas existências, onde os sonhos de liberdade, poder, força, status social, beleza, juventude, auto-afirmação, a capacidade de desbravar obstáculos antes intransponíveis, a possibilidade de chegar à frente de todo mundo (já reparou que carro só anda sem engarrafamentos em comerciais de TV?) tornaram-se “possíveis” e “ao alcance de todos” com a simples posse de um veículo automotor. Como resumiu uma campanha publicitária recente sobre um determinado veículo: “ou você tem, ou você não tem”.

8 ) O efeito Pateta
Em “Motormania”, desenho animado de Walt Disney do ano de 1950, o dócil Pateta se transforma ao volante em alguém raivoso, egoísta e perigoso (veja o vídeo). Alguém que dirige alucinadamente no trânsito oferecendo risco a si próprio e aos outros. Em depoimento registrado no livro “O automóvel: planejamento urbano e a crise das cidades” (Ed.Fiscal Tech), a psicóloga Iara P. Thielen, diretora do Núcleo de Psicologia do Trânsito da Universidade Federal do Paraná, diz que “ as pessoas têm um sentimento de individualismo exagerado. Elas não vêem o trânsito como um fenômeno coletivo. Por isso elas acreditam que, em primeiro lugar, o problema é sempre dos outros, que são loucos e que correm, enquanto que elas apenas exageram um pouquinho”.

9) O impacto sobre o clima
Atualmente a frota automobilística do mundo é superior a 800 milhões de carros. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apenas a China deverá aumentar sua frota de 17 milhões de carros para 343 milhões de carros até 2030. Segundo a secretária de Economia Verde do Estado do Rio de Janeiro, a professora da COPPE/UFRJ, Suzana Kahn, que também integra o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), o setor de transportes é responsável onde por 23% das emissões globais de gases estufa (que agravam o aquecimento global) e cerca de 50% a 70% dos poluentes atmosféricos. Os automóveis sozinhos respondem por metade de tudo isso.

10) “A era do automóvel”, por João do Rio
Membro da Academia Brasileira de Letras, João do Rio registrou em 1909, numa crônica profética, alguns dos problemas causados pela multiplicação indiscriminada de automóveis nas ruas das cidades. Note-se que esta crônica foi publicada em 1909 quando apenas 37 automóveis rodavam pelas ruas do Rio de Janeiro, então com 500 mil habitantes. O texto foi reproduzido na íntegra no livro “O automóvel : planejamento urbano e a crise das cidades” (Ed.Fiscal Tech). Destaco aqui apenas o início e o final da crônica:
“E subitamente, é a Era do Automóvel.O monstro transformador irrompeu, bufando, por entre os escombros da cidade velha, e como nas mágicas e na natureza, aspérrima educadora, tudo transformou com aparências novas e novas aspirações (…). Automóvel, Senhor da Era, Criador de uma nova vida, Ginete Encantado da transformação urbana, Cavalo de Ulysses posto em movimento por Satanás, Gênio inconsciente da nossa metamorfose!”

Publicado originalmente no site Mundo Sustentável coluna de André Trigueiro.

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