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6 de julho de 2014

O Café e o Jacu: Como essa ave passou de vilã dos produtores à responsável pela valorização do produto

O Jacu (Penelope sp.) é o principal responsável pela produção do Jacu bird coffee (café do jacu), considerado um dos melhores cafés do Brasil. A ave, semelhante à galinha, era um problema para a Fazenda Camocim, localizada na região da Pedra Azul (Espírito Santo), próxima a uma mancha de Mata Atlântica. Os jacus, invadiam a plantação para se alimentar dos melhores frutos do cafezal. O transtorno era tão grande que os proprietários pediram autorização do governo para controlar a população dos animais.
Jacu (Penelope sp) – Foto de Eurico Zimbres/ Wikimedia Commons
Foi então que os fazendeiros ouviram a história do Kopi luwak, o café mais caro do mundo, produzido na Indonésia a partir dos grãos colhidos das fezes da civeta (Paradoxurus hermaphroditus), uma espécie de carnívoro do tamanho de um gato.
Civeta (Paradoxurus hermaphroditus) – Foto de Tigrou Meow/ Wikimedia Commons
O segredo está na “etapa especial” de fermentação das sementes, que acontece dentro do sistema digestivo do animal. Esse processo transforma as propriedades do café e lhe confere um sabor único. Mas a coleta das sementes é complicada: é preciso pegar as fezes do bichinho e lavar os grãos antes de torrá-los.
As fezes do jacu
A partir daí surgiu a ideia de fabricar o Jacu bird coffee, que se tornou reconhecido internacionalmente. A produção é direcionada para a exportação, porém o café do jacu pode ser encontrado em algumas lojas do Brasil.

Os amantes do café podem experimentar essa excentricidade em Santos, no Museu do Café. Se gostar da iguaria, prepare o seu bolso: 250 gramas de jacu bird coffee podem custar mais de R$ 100!
Fonte: National Geographic Brasil

Infelizmente na Indonésia a obtenção do café Kopi luwak (o mais caro do mundo) não tem sido tão selvagem como dizem. Algumas casas de café da Indonésia mantêm os Civeta confinados em pequenas gaiolas se alimentando exclusivamente do fruto do café e água. Suas fezes são coletadas diariamente para produção do pó do café.
Esperamos que não ocorra nada parecido com nossos Jacus.
“Nós levamos um ano e meio para dominar a técnica de fazer bebida boa a partir de cocô de passarinho”, comenta Henrique Sloper, dono da fazenda Camocim e detentor da patente do café. Segundo ele, foram interceptadas em Minas tentativas de produtores de copiar a técnica desenvolvida na fazenda, mas de forma errada, com os jacus presos em cativeiro. “Ficamos sabendo que alguns produtores estavam tentando prender o jacu e ensiná-lo a comer café. Mas não foi assim que aconteceu na nossa fazenda, onde o processo nasceu naturalmente”

28 de junho de 2014

Táxis promovem projeto de incentivo a leitura em 3 países na América Latina e 25 cidades brasileiras

Lançado em 2011 em São Paulo, o projeto Bibliotáxi oferece hoje livros aos passageiros de táxis em 25 cidades brasileiras.

“A ideia é colocar os livros na frente das pessoas, promovendo o acesso à cultura e ao entretenimento. E nada melhor do que o táxi e o próprio taxista, que é bom de papo, para promover este encontro”, diz o mineiro Tallis Gomes, 27 anos, co-CEO e fundador da Easy Taxi, pioneira no serviço móvel de chamada de táxi na América Latina.

Neste ano, a novidade é uma parceria com a livraria Saraiva, que doou 80.000 títulos para o projeto, entre clássicos da literatura, lançamentos e grandes best-sellers. Eles estão disponíveis em cerca de 50.000 carros em todo o país.

Há menos de seis meses, o Bibliotaxi chegou a outros três países da América Latina: Chile, Peru e Colômbia.

Em Bogotá, capital colombiana, a aposta é a versão digital do Bibliotaxi. Desde 24 de abril, motoristas da Easy Taxi circulam com kits do projeto – além de 3.500 livros de papel, há 100.000 títulos digitais disponíveis que os passageiros podem obter através de um aplicativo.

Desde 24 de abril, passageiros de táxi de Bogotá, capital da Colômbia, têm à disposição 3.500 livros de papel e 100.000 livros digitais através do projeto Bibliotaxi. Foto: Easy Taxi
“Nosso objetivo é criar uma imensa biblioteca colaborativa, juntando cultura e mobilidade”, diz Gomes.

Quando a corrida termina, o passageiro pode levar o livro para casa e devolver numa outra viagem de táxi. Se quiser participar doando livros, basta entregar a um taxista do projeto.

“Demos este pontapé [doação de 80.000 títulos], mas qualquer livro pode ser doado. Não há restrição de gênero”, diz Jorge Saraiva Neto, presidente do Grupo Saraiva.

A iniciativa começou de forma espontânea na Vila Madalena, em São Paulo, com o taxista Antônio Miranda emprestando livros aos seus passageiros habituais do bairro. O projeto começou a se expandir com o apoio do site Catraca Livre e do Instituto Mobilidade Verde.

Em 2012, o jornalista e ativista cultural Gilberto Dimenstein, do Catraca Livre, apresentou o projeto ao Easy Taxi. E assim a iniciativa local virou nacional, com um acervo inicial de 8.000 livros e o slogan “Uma mão na direção, outra na educação”.

Mas Gomes diz que já não tem ideia do tamanho do acervo, devido ao grande número de doações de passageiros e dos próprios taxistas.

“O passageiro não precisa fazer nenhum registro para pegar livros emprestados. Não temos como contabilizar”, diz Gomes, que também não se preocupa com extravios.

Para Lincoln Paiva, da ONG Instituto Mobilidade Verde, todas as cooperativas de táxis deveriam aderir ao projeto.

“A iniciativa é bacana e totalmente livre. Qualquer taxista ou empresa pode participar”, diz Paiva, que toca vários projetos de mobilidade urbana em São Paulo.

O taxista Elissandro Alves, de Natal (RN) diz que o projeto faz sucesso com turistas.

“Como Natal recebe muitos turistas de outros estados, muitos pegam livros comigo para ler durante as férias e devolvem a outro taxista no final da estadia”, diz Alves.

As cidades em que o Bibliotaxi está disponível são: Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Manaus, Natal, Niterói, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Santos, São José dos Campos, São Luís, São Paulo e Vitória.

Fonte: InfosurHoy Por Daniela Oliveira 09/05/2014

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