26 de novembro de 2012

Funai pede investigação sobre envenenamento em córrego

Imagem retirada de História Digital 
Por PAULA VITORINO - Campo Grande/MS em 20/11/2012

A Fundação Nacional do Índio (Funai) em Ponta Porã (MS) denunciou ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal (PF) uma suspeita de envenenamento no córrego Ypo'i, no município de Paranhos (MS). O córrego fica próximo a um acampamento indígena com 77 famílias da etnia Guarani-Kaiowá, sendo que a água é utilizada pelos índios para beber, tomar banho e preparar alimentos.
As equipes da Funai estiveram no local na última segunda-feira e constataram a presença de espuma branca no córrego, mas como não podem comprovar se havia veneno na água, pediram aos órgãos responsáveis que apurem as denúncias. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) recolheu amostras da água.
Desde a semana passada, as águas do córrego foram tomadas pela espuma que, segundo os indígenas, teria sido provocada por envenenamento. Lideranças do acampamento disseram ter encontrado homens armados próximo ao local, que os ameaçaram dizendo que envenenariam toda a área para impossibilitar o plantio dos índios.
Conforme o Cimi, tambores de veneno também foram encontrados próximo ao córrego, e esse não seria o primeiro envenenamento. Indígenas gravaram vídeos e bateram fotos mostrando a situação do córrego. O grupo está em área ocupada de fazenda desde 2009. Eles lutam pela retomada da tekoha - território tradicional originário. De acordo com o Cimi, três Kaiowá já foram assassinados no local durante a disputa.
Fonte: Terra

Enquanto isso ainda tem gente que acha que índio são mau-caráter ou acomodados com o governo, é fato que existe facilitação de indígenas para tráfico de drogas, flora e fauna, mas são poucos casos. Homens não-indígenas em maior quantidade fazem isso. E referente a dependência deles para com o governo é culpa do próprio governo a situação em que eles se encontram, pois não fez a demarcação de terra, não fizeram fiscalização, não deram recursos e meios para serem auto-suficiente enquanto o mundo tenta sufocar sua cultura. Acredito que índio pode ter acesso a ensino, faculdade, profissionalização e mesmo com tudo isso poderá manter suas raízes. Uma reserva indígena é uma unidade de preservação ecológica que está sendo "engolida" pelas fazendas, hidrelétricas e qualquer coisa que o governo considere lucrativo, na verdade é mais interesse pessoal do que estatal, sabemos da corrupção que existe aqui, sabemos que a maioria dos políticos são ruralistas e servem seus próprios interesses.
Enfim, os índios são poucos contra o sistema, e o sistema é falho, por isso tem tantas pessoas usando redes sociais usando o nome Guarani-Kaiowa e fazendo manifestações tentando causar polêmica e fazer com que o assunto seja discutido e resolvido. Não é modinha como insinuou o Luiz Felipe Pondé no artigo Guarani Kaiowá de boutique. É lutar pelos direitos humanos, pelos mais fracos, pressionar o governo a tomar atitudes e resolver uma situação insustentável como se pode ler na notícia acima.

UPDATE
A jornalista Eliane Brum convidou alguns antropólogos, psicólogos e a ex-ministra do meio ambiente Marina Silva para responder sobre o porquê de tantas pessoas terem mudados seus nomes para Guarani Kaiowa nas redes sociais. Confira as respostas em http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/11/sobrenome-guarani-kaiowa.html.

Sobre o autor: Luciana Cantanhede Estudante de Biologia, Conselheira do Cades regional em São Paulo, busca através das temáticas ambientais conscientizar e incentivar a mudança de atitudes para práticas sustentáveis. Twitter | Facebook | Email

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